Eleições 2026

PSDB indica Mosconi como vice de Kalil na disputa pelo governo de Minas

Ex-deputado federal e um dos relatores da saúde na Constituinte completa a chapa do PDT em Minas Gerais

O PSDB indicou o médico e ex-deputado federal Carlos Mosconi como candidato a vice-governador na chapa do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) ao governo de Minas Gerais. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 5 de agosto, e fecha a composição da coligação entre os dois partidos.

A escolha reforça a aposta da campanha na área da saúde, tema que Kalil vem colocando no centro do discurso desde a pré-campanha. A definição foi noticiada pelo Poder360, pelo Estado de Minas e pelo O Tempo.

A formalização encerra uma negociação aberta publicamente em abril entre as direções estaduais do PSDB e do PDT. Em nota, o PSDB afirmou que as conversas se concentraram na construção de uma alternativa estadual distante da polarização nacional, com base em um projeto de centro voltado aos interesses de Minas Gerais.

Quem é Carlos Mosconi

Médico de formação, Mosconi exerceu quatro mandatos de deputado federal e dois de deputado estadual. Comandou a Secretaria de Saúde do Distrito Federal e presidiu a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).

Ele é reconhecido como um dos formuladores do Sistema Único de Saúde (SUS). Na Assembleia Nacional Constituinte de 1987 e 1988, foi relator da proposta que incluiu a saúde na Constituição Federal como direito de todos e dever do Estado.

Procurada, a assessoria do PDT mineiro não detalhou a divisão de tempo de propaganda entre as legendas na chapa. A campanha de Kalil também não informou se outros partidos ainda negociam entrada na coligação.

Como fica a disputa mineira

Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e concentra parte relevante da disputa nacional em outubro. A chapa Kalil e Mosconi soma o PDT ao PSDB, sigla que governou o estado por 12 anos com Aécio Neves e Antonio Anastasia.

No campo à direita, o PL lançou o empresário Flávio Roscoe ao governo mineiro depois da desistência do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). A definição das convenções partidárias fecha o quadro de candidaturas antes do início oficial da campanha.

O calendário eleitoral prevê que as convenções ocorram no período fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com registro posterior das chapas na Justiça Eleitoral. Só após o registro as coligações ficam formalmente definidas, o que pode alterar composições anunciadas até aqui.

Para o PSDB, a vaga de vice em Minas recoloca a sigla numa disputa majoritária relevante depois de perder espaço em ciclos recentes. Para Kalil, que disputou o governo em 2022 e ficou em segundo lugar, o acordo agrega uma estrutura partidária com histórico estadual e um nome ligado à pauta da saúde.

A escolha do vice tem peso além do simbólico na aritmética eleitoral. Em eleições majoritárias estaduais, o partido do candidato a vice entra na coligação e soma tempo de propaganda em rádio e televisão, além de estrutura de diretórios municipais para levar a campanha ao interior. Minas tem 853 municípios, o maior número do país, e nenhuma campanha estadual se sustenta ali sem rede local instalada.

O perfil de Mosconi também define o terreno em que a chapa quer disputar. Ao colocar um nome associado à criação do SUS na vaga de vice, o PDT sinaliza que pretende travar o debate mineiro em torno de gestão de saúde pública, filas e financiamento hospitalar, e não nos temas de costume que organizam a disputa nacional.

Kalil governou Belo Horizonte por dois mandatos, de 2017 a 2022, e deixou a prefeitura para disputar o governo estadual. Ele foi derrotado por Romeu Zema (Novo), reeleito no primeiro turno. Zema não pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo, o que abre a disputa deste ano sem um governador na corrida pela reeleição.

Leia também: PL lança Flávio Roscoe ao governo de Minas após a desistência de Cleitinho.

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