PL lança Flávio Roscoe ao governo de Minas após desistência de Cleitinho
Ex-presidente da Fiemg foi anunciado por Flávio Bolsonaro depois de mais de 120 dias de espera por definição do Republicanos
O Partido Liberal (PL) anunciou nesta quarta-feira, 5, o empresário Flávio Roscoe como candidato ao governo de Minas Gerais, depois que o Republicanos decidiu não lançar o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) na disputa estadual. O nome foi apresentado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do partido à Presidência da República, em vídeo publicado nas redes sociais.
"Quero anunciar a vocês, com muita honra, muita felicidade, o nome de Flávio Roscoe para candidato a governador de Minas Gerais", disse Flávio Bolsonaro, segundo a Gazeta do Povo. O PL descreve Roscoe como quadro ligado ao grupo desde antes da pré-campanha presidencial.
Roscoe é ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e não tem mandato eletivo. Esta é a primeira disputa eleitoral do empresário, que chega à campanha com trânsito no setor produtivo mineiro e sem histórico de urna.
Ao apresentá-lo, Flávio Bolsonaro definiu o indicado como "uma pessoa preparada, competente, que já desde lá de trás caminha junto conosco", conforme registrou o Poder360. O anúncio foi confirmado por Gazeta do Povo, Poder360 e O Tempo, e o PL formalizou a escolha no mesmo dia.
O que motivou a mudança de nome
Cleitinho liderava as pesquisas para o governo mineiro e era o preferido do grupo de Flávio Bolsonaro. O senador saiu da disputa após a morte do irmão, e o Republicanos confirmou que não apresentaria candidato próprio ao Palácio da Liberdade, encerrando uma negociação que se arrastava havia meses.
"Trabalhamos para que o Cleitinho fosse o candidato, respeitando a vontade da população, mas, infelizmente, após mais de 120 dias aguardando, isso não foi possível, houve decisão do Republicanos de não lançar candidato", afirmou Roscoe, conforme registrou o Poder360.
Ao comentar a saída do senador, Roscoe disse desejar apoio de Cleitinho na campanha e citou "esse momento de transição que ele está passando, esse momento difícil e de luto".
O peso de Minas na conta presidencial
Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e funciona como termômetro nacional em disputas presidenciais. Sem palanque estadual definido, uma campanha à Presidência perde estrutura de rua, tempo de rádio e televisão vinculado ao candidato ao governo e capilaridade em prefeituras aliadas.
A espera de mais de 120 dias por uma decisão do Republicanos deixou o PL sem operação montada no estado durante a fase inicial da pré-campanha, período em que outros grupos já rodavam agenda no interior.
O partido não divulgou nome de candidato a vice na chapa mineira nem indicação para o Senado por Minas. Procurada por veículos que noticiaram o anúncio, a assessoria de Cleitinho não se manifestou sobre um eventual apoio a Roscoe até a publicação.
A definição em Minas ocorre na mesma semana em que o PL fechou o ex-promotor Alfredo Gaspar como candidato a vice na chapa presidencial, movimento que também travava a montagem dos palanques estaduais.
Com Roscoe, o PL passa a ter nome próprio em um estado onde vinha apostando em aliança. A troca também muda a natureza da campanha mineira do partido: sai um senador conhecido pelo eleitorado e com desempenho consolidado em pesquisas, entra um empresário que precisa construir reconhecimento de nome em poucas semanas, em um estado com 853 municípios e mídia regional fragmentada.
Até a abertura da propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão, o trabalho de apresentação do candidato depende de agenda presencial, redes sociais e do peso do palanque presidencial que o PL leva ao estado.
A definição sobre coligações e sobre o candidato ao Senado por Minas deve ficar para as convenções partidárias.