Lula e Flávio Bolsonaro miram o voto feminino em agendas em São Paulo
Presidente discursou em evento do MTST em Taboão da Serra; senador do PL prometeu centro da mulher e indicação de ministras ao STF em Itapetininga
Os dois principais nomes da disputa presidencial de 2026 fizeram acenos ao eleitorado feminino em agendas realizadas no estado de São Paulo neste sábado, 8. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de evento do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em Taboão da Serra, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) discursou em Itapetininga. A campanha oficial, quando os candidatos poderão pedir voto, começa em 16 de agosto.
Em Taboão da Serra, Lula afirmou que os homens precisam aprender a trabalhar na cozinha para ajudar as mulheres. Em outro trecho do discurso, o presidente criticou setores ligados ao mercado financeiro e à Faria Lima, ao dizer que parte de quem defende ajuste fiscal desconhece a dificuldade enfrentada pela população mais pobre. Ele também citou banqueiros e o agronegócio ao tratar de situações de vulnerabilidade e defendeu que a política pública considere a realidade de quem enfrenta aperto econômico.
O evento foi promovido pelo MTST, movimento de ocupação urbana com atuação concentrada na Grande São Paulo e histórico de proximidade com a esquerda paulista. A escolha do palco insere o discurso sobre divisão de tarefas domésticas em um público de periferia urbana, onde a mulher costuma ser a responsável pelo domicílio e pela renda familiar.
O que Flávio Bolsonaro prometeu
Em Itapetininga, o senador Flávio Bolsonaro disse que pretende criar um centro da mulher voltado ao atendimento e à proteção de vítimas de violência. O pré-candidato do PL afirmou ainda que indicará mulheres ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito.
A proposta de um centro da mulher se soma às estruturas de atendimento a vítimas de violência já mantidas por estados e municípios. Nas falas de sábado, o senador não detalhou fonte de recursos, formato de gestão nem prazo de implantação da unidade, e também não disse quantas indicações ao Supremo pretende fazer nem em que critério se basearia a escolha.
Foi na mesma agenda em Itapetininga que o senador tratou de segurança pública, tema já registrado pelo Resenhando em reportagem sobre o discurso do pré-candidato no interior paulista.
Por que o voto feminino entrou na conta
As duas campanhas vêm tratando o eleitorado feminino como terreno em disputa, e não como base consolidada. A escolha das agendas de sábado reflete isso: um evento de movimento social na Grande São Paulo e um ato no interior paulista, dois perfis distintos de público dentro do mesmo estado.
São Paulo concentra o maior colégio eleitoral do país. O calendário eleitoral define 16 de agosto como início do período em que candidatos podem pedir voto de forma explícita, com propaganda regulamentada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Até 16 de agosto, atos como os de sábado ocorrem em uma zona intermediária: são pré-campanha, sem pedido explícito de voto, mas cumprem a função de fixar tema e público. É nesse intervalo que as duas candidaturas testam quais mensagens sustentam palanque antes de entrarem no horário eleitoral gratuito e na propaganda paga em plataformas digitais, regulada pelo TSE.
A disputa entre os dois campos vem sendo medida por levantamentos divulgados ao longo de agosto, que o Resenhando acompanha em reportagens sobre pesquisas de segundo turno. Nenhuma das duas campanhas tem margem confortável no cenário nacional, o que explica o esforço sobre segmentos específicos do eleitorado nesta fase.
As falas foram reportadas por Correio Braziliense, InfoMoney e Jornal de Brasília, entre outros veículos que acompanharam as duas agendas.