Flávio diz que fará oração na posse e declarará guerra ao narcotráfico
Em evento no interior de São Paulo, senador prometeu classificar facções como terroristas e retomar territórios dominados pelo crime organizado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou neste sábado, 8, que fará uma oração no discurso de posse e declarará guerra ao narcotráfico caso seja eleito em outubro. As declarações foram dadas em Itapetininga, no interior de São Paulo, durante o evento Café Entre Elas, promovido pela deputada federal Simone Marquetto (PP-SP).
Sobre a segurança pública, o senador prometeu mudar o enquadramento legal das organizações criminosas. "Vão ser classificados e tratados como terroristas. Vou recuperar os territórios que hoje eles dominam", disse. Ele afirmou que áreas sob domínio do crime organizado afetam mais de 50 milhões de brasileiros.
A proposta de tratar facções como organizações terroristas é uma bandeira que o campo bolsonarista defende desde a legislatura passada. A classificação exige mudança na legislação penal, o que depende de aprovação do Congresso Nacional, e não pode ser feita por ato isolado do Executivo.
No trecho sobre a posse, Flávio disse que pretende fazer uma oração para entregar a Nação brasileira às mãos do Senhor Jesus. Ele associou a proposta a uma avaliação de que o país vive uma crise moral generalizada e afirmou que pretende expulsar os demônios da praça dos Três Poderes.
Economia e agenda de campanha
O candidato também tratou de economia no evento. Disse que pretende recolocar o Brasil entre as sete maiores economias do mundo e usou a expressão tirar o Brasil do vermelho para descrever o objetivo fiscal de um eventual governo.
Em outra entrevista no mesmo dia, o senador afirmou estar mais do que preparado para assumir o comando do país. Ele disputa a Presidência com o aval do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e tem no eleitorado evangélico e no discurso de segurança pública os dois eixos centrais da pré-campanha.
O calendário eleitoral trabalha a favor de eventos como o desta manhã. Os pedidos de registro de candidatura vão até 15 de agosto, e a propaganda eleitoral só começa no dia 16. Até lá, a agenda dos presidenciáveis se concentra em encontros com bases locais e lideranças partidárias no interior dos estados de maior colégio eleitoral, caso de São Paulo.
O tema da segurança pública aparece no centro da disputa deste ano. É a área em que a oposição concentra críticas ao governo federal e em que o Planalto tenta emplacar mudança constitucional em tramitação no Congresso. Ao vincular a promessa de posse ao enfrentamento das facções, o senador organiza a própria campanha em torno desse eixo.
O que depende do Congresso
Duas das promessas apresentadas no evento não se resolvem no Palácio do Planalto. A tipificação das facções como grupos terroristas passa por projeto de lei, com tramitação nas duas Casas. A recuperação de territórios dominados pelo crime organizado envolve coordenação com governos estaduais, que comandam as polícias militares e civis, e depende de orçamento aprovado pelo Legislativo.
A campanha do senador não divulgou detalhamento das medidas nem prazo para envio de propostas ao Congresso. O documento que formaliza os compromissos é o programa de governo, entregue à Justiça Eleitoral junto com o pedido de registro da candidatura.
A votação do primeiro turno ocorre em 4 de outubro.