Hugo Motta declara apoio à reeleição de Lula e diz que decisão é pessoal
Presidente da Câmara anunciou o apoio em cerimônia no TRE-PB depois de o Republicanos fechar neutralidade na disputa presidencial
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira, 10, durante cerimônia no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Foi a primeira manifestação pública do parlamentar sobre a disputa presidencial deste ano.
A declaração ocorreu na posse da advogada Giovanna Mayer na corte eleitoral paraibana, base política de Motta. "Eu estava aguardando a posição do partido para que pudesse trazer de público a nossa posição, revelada aqui em primeira mão, de apoio ao presidente Lula em seu projeto de reeleição", afirmou, conforme registro publicado pelo Poder360 e pela Gazeta do Povo.
Motta apresentou o apoio como decisão individual, e não como orientação partidária. Segundo ele, a escolha leva em conta a relação entre o governo federal e o governo da Paraíba. "Vamos declarar esse apoio ao presidente porque é o que converge com aquilo que achamos ser melhor para o país", disse.
O que decidiu o Republicanos
O diretório nacional do Republicanos fechou posição de neutralidade na disputa presidencial e liberou os diretórios estaduais e os filiados para apoiar quem quiserem. É o que abre espaço para a manifestação de Motta sem confronto formal com a legenda, ainda que o partido integre a base que elegeu Tarcísio de Freitas em São Paulo e mantenha alianças estaduais com siglas de oposição ao governo federal.
O Jornal do Comércio registra que a declaração vem depois de o Republicanos rejeitar coligação nacional com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A Gazeta do Povo acrescenta que, na Paraíba, a executiva estadual do partido confirmou apoio ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) na disputa pelo Senado, e não a Nabor Wanderley, pai de Motta, cujo nome havia circulado para a vaga.
As reportagens publicadas nesta segunda não registram reação do diretório nacional do Republicanos nem da pré-campanha de Flávio Bolsonaro à declaração do presidente da Câmara.
O que o cargo põe em jogo
Motta comanda a Câmara desde fevereiro de 2025, eleito com 444 votos, a maior votação já registrada para a presidência da Casa. O cargo define o que entra e o que não entra na pauta do plenário, decide sobre a criação de comissões especiais e despacha os pedidos de urgência que o Palácio do Planalto precisa aprovar para destravar suas propostas.
Nos últimos meses, esse poder de agenda foi usado nas duas direções. Motta segurou a votação de projetos de interesse do governo e, em outros momentos, destravou pautas do Executivo. Em agosto, o Planalto retirou a urgência do projeto que acaba com a escala 6x1, movimento que na leitura do Congresso serviu para liberar o restante da pauta econômica no esforço concentrado da semana.
O apoio declarado por quem preside a Câmara em ano eleitoral tem efeito prático sobre o calendário legislativo: são os últimos meses de trabalho antes da campanha, período em que o governo precisa aprovar medidas de impacto direto no bolso do eleitor. A neutralidade formal do Republicanos deixa a bancada, uma das maiores da Casa, dividida entre apoios individuais nos estados.
Na Paraíba, Motta disputa a reeleição para a Câmara. O estado tem 12 cadeiras na Casa e elege um senador neste ano. O prazo para o registro das candidaturas termina às 19h do dia 15 de agosto, e as coligações e federações já registradas nos tribunais regionais eleitorais fixam o desenho das alianças estaduais que sustentarão as campanhas presidenciais em cada unidade da federação.
Lula busca o quarto mandato. Flávio Bolsonaro, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) disputam o campo de oposição, que segue sem candidatura única. A votação em primeiro turno está marcada para 4 de outubro.