Eleições 2026

Flávio Bolsonaro publica diplomas após UFRJ negar registro de pós

Perfis oficiais do senador no Senado, na Alerj e no LinkedIn atribuíam a ele uma pós-graduação em Ciência Política que a universidade diz não constar em seus sistemas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, publicou na quarta-feira, 12 de agosto, imagens de seus diplomas acadêmicos na rede social X, depois que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) informou não haver registro de sua passagem pela instituição. A informação foi divulgada inicialmente pelo Poder360.

Perfis oficiais do senador na página do Senado Federal, no site da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e no LinkedIn atribuíam a ele uma pós-graduação em Ciência Política pela UFRJ. Em resposta, a universidade afirmou que não há registro de Flávio Nantes Bolsonaro como aluno em seu sistema acadêmico, e apontou que Eduardo Nantes Bolsonaro consta como formado em Direito.

Na publicação, o senador listou três títulos: bacharelado em Direito pela Universidade Cândido Mendes, especialização em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) em conjunto com a Escola de Políticas Públicas e Governo, e MBA em Empreendedorismo e Desenvolvimento de Novos Negócios pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

A versão da assessoria

A equipe do senador classificou a menção à UFRJ como um erro. Segundo a assessoria, o dado teria sido extraído de páginas como a Wikipédia e reproduzido nos perfis institucionais. A defesa afirmou já ter solicitado a correção às plataformas.

Currículos publicados em sites de casas legislativas costumam ser preenchidos com dados fornecidos pelo próprio gabinete e atualizados a pedido. Não há, nas normas do Senado e da Alerj, exigência de comprovação documental para o campo de formação acadêmica.

A reação dos adversários

O episódio foi explorado por concorrentes na corrida presidencial. O candidato Ronaldo Caiado (PSD) questionou a credibilidade do senador: "Quem mente no currículo não tem compromisso com a verdade ao governar. Isso é fato!", escreveu.

Renan Santos, do Missão, também criticou o senador e classificou o caso como constrangedor.

A campanha de Flávio Bolsonaro não apresentou documento adicional além das imagens divulgadas no X. A UFRJ, em nota reproduzida pela imprensa, manteve a informação de que não localizou registro do senador em seus sistemas.

A checagem de currículos de candidatos ganha peso a cada ciclo eleitoral. A Justiça Eleitoral não exige comprovação de pós-graduação no registro de candidatura, mas informação falsa em material de campanha pode ser objeto de representação por parte de adversários.

No registro de candidatura, o campo obrigatório sobre escolaridade se limita ao grau de instrução, informação declaratória usada para fins estatísticos pelo Tribunal Superior Eleitoral. Títulos de pós-graduação não passam por conferência documental do tribunal, o que transfere a checagem para a imprensa e para os adversários.

O caso também expõe a cadeia pela qual dados biográficos circulam. Páginas institucionais de casas legislativas costumam reproduzir currículos enviados pelos próprios gabinetes, e essas páginas alimentam enciclopédias colaborativas, agregadores e perfis profissionais. Uma vez publicado, o dado se replica sem nova checagem, e a correção precisa ser feita em cada ponto da cadeia.

A versão apresentada pela assessoria inverte essa ordem: segundo o gabinete, a informação teria migrado da enciclopédia colaborativa para os perfis oficiais, e não o contrário. Não foi apresentado registro que permita datar em qual das plataformas a menção à UFRJ apareceu primeiro.

Os três títulos exibidos por Flávio Bolsonaro não foram contestados. A divergência se restringe à pós-graduação em Ciência Política atribuída a ele pela universidade federal fluminense.

Flávio Bolsonaro é senador pelo Rio de Janeiro desde 2019 e antes disso foi deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ele disputa a Presidência pelo PL.

Leia também: o que diz o plano de governo de Flávio Bolsonaro.

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