Eleições 2026

Eleição mantém maioria dos distritais e reconduz 11 que aprovaram compra do Master

Dos 14 deputados distritais que aprovaram em segundo turno a autorização para o BRB comprar ativos do Banco Master, 11 foram reeleitos no primeiro turno…

O primeiro turno das eleições de domingo, 4 de outubro, manteve a maioria da atual composição da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e reconduziu 11 dos 14 deputados distritais que votaram a favor, em agosto de 2025, da autorização para o Banco de Brasília (BRB) comprar ativos do Banco Master. A informação foi divulgada pelo Brasil de Fato e confirmada pelo Jornal Opção.

O Projeto de Lei 1882/2025, que autorizou a operação, foi aprovado em dois turnos na CLDF em agosto de 2025. No primeiro turno, o placar foi de 15 votos favoráveis a 7 contrários. No segundo turno e na redação final, a aprovação ficou em 14 votos a 7, porque o deputado Thiago Manzoni (PL) não repetiu o voto favorável do primeiro turno.

Dos 14 deputados que votaram a favor da operação no segundo turno, 11 disputaram e garantiram vaga na CLDF para a próxima legislatura: Eduardo Pedrosa (União Brasil), Roosevelt Vilela (PL), Robério Negreiros (Podemos), Jaqueline Silva (MDB), Pepa (PP), Wellington Luiz (MDB), Martins Machado (Republicanos), Hermeto (MDB), Pastor Daniel de Castro (PP), João Cardoso (PL) e Rogério Morro da Cruz (PSD).

Manzoni, que votou a favor apenas no primeiro turno, não disputou a reeleição para a CLDF: foi eleito deputado federal pelo DF, com 90.418 votos. Os demais deputados que apoiaram a operação em algum dos dois turnos e não renovaram mandato na Câmara distrital são Doutora Jane, Iolando e Jorge Vianna.

A operação aprovada pela CLDF autorizou o BRB, banco controlado pelo Governo do Distrito Federal, a adquirir uma carteira de ativos do Banco Master avaliada em cerca de R$ 15 bilhões. O negócio rompeu em julho, de comum acordo entre as partes, depois que a gestora Quadra Capital não pagou a primeira parcela de R$ 4 bilhões prevista no contrato. O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) abriu Tomada de Contas Especial e bloqueou R$ 2,76 bilhões de cinco ex-dirigentes do BRB envolvidos na operação, segundo reportagem já publicada pelo Resenhando.

Há pedido de CPI protocolado na CLDF para apurar a relação entre o BRB e o Banco Master, apresentado pela bancada do PL. O requerimento precisa reunir um terço das assinaturas dos 24 deputados distritais para ser automaticamente instalado. Até a véspera da eleição, nenhum dos deputados que votaram a favor da operação havia assinado o pedido de abertura da comissão.

Procurada, a assessoria da CLDF não respondeu até a publicação desta reportagem sobre o andamento do requerimento de CPI após o resultado eleitoral. O espaço segue aberto para atualização.

A recondução da maioria dos deputados que aprovaram a operação ocorre no mesmo período em que o caso Master segue sob investigação em diferentes frentes: a Polícia Federal apura aplicações de institutos de previdência estaduais e municipais no banco, o Conselho Superior do Ministério Público Federal discutiu a permanência do procurador-geral da República no caso, e o Supremo Tribunal Federal mantém sigilos quebrados sobre a rede de pagamentos ligada ao controlador do banco, Daniel Vorcaro. Os novos deputados distritais tomam posse em fevereiro de 2027, para mandato de quatro anos.

A taxa de reeleição entre os deputados que votaram a favor da operação com o Master, de 78,6% (11 em 14), ficou próxima da taxa geral de renovação da CLDF: dos 22 deputados que participaram da votação de agosto de 2025, 18 conquistaram novo mandato ou migraram para outro cargo no primeiro turno, segundo o Jornal Opção.

Entre os reeleitos está Eduardo Pedrosa (União Brasil), segundo mais votado para a CLDF nesta eleição, com 50.833 votos, atrás apenas de Max Maciel (PSOL). Pedrosa foi um dos relatores favoráveis ao projeto que autorizou o BRB a comprar os ativos do Master em 2025.

O caso Master segue como o principal foco de apuração financeira do país. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em 18 de novembro de 2025, por crise de liquidez e indícios de emissão fraudulenta de títulos, e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assumiu o pagamento de correntistas e investidores. A relação entre o BRB e o Master é investigada também pelo TCDF, que apura o papel dos ex-dirigentes do banco distrital na operação, enquanto a Polícia Federal mira, em outra frente, institutos de previdência de estados e municípios que aplicaram recursos no Master.

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