Patrimônio declarado por Dr. Luizinho cresce 62,5% em quatro anos
Deputado federal informou ao Tribunal Superior Eleitoral bens de R$ 5,8 milhões no registro de 2026, contra R$ 3,5 milhões declarados em 2022
O deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ) declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônio de R$ 5.817.982,26 no registro de candidatura de 2026. Em 2022, o valor informado por ele havia sido de R$ 3.579.347,95. A diferença nominal entre as duas declarações é de R$ 2.238.634,31, alta de 62,5% em quatro anos.
Os dados constam do sistema de divulgação de candidaturas do TSE, alimentado pelas informações que cada candidato entrega ao pedir o registro. O levantamento comparativo foi divulgado pelo Poder360.
Segundo a declaração, o patrimônio é composto por uma casa avaliada em R$ 1.378.000,00 em créditos por empréstimo, dois apartamentos que somam R$ 1.433.570,69 e ainda veículos e aplicações financeiras.
O que os números dizem e o que não dizem
A comparação entre as duas declarações é feita em valores nominais. Nem o sistema do TSE nem o levantamento aplicam correção pela inflação do período, o que significa que parte da variação corresponde apenas à perda de poder de compra da moeda entre 2022 e 2026, e não a acréscimo real de bens.
Há uma segunda limitação, comum a toda declaração eleitoral de bens. Os valores informados seguem, em regra, o custo de aquisição registrado na declaração de imposto de renda, e não o preço de mercado do imóvel ou do veículo. Um apartamento comprado há uma década pode aparecer pelo valor da escritura, muito abaixo do que valeria hoje. O inverso também ocorre quando o bem se desvaloriza.
Por isso, a variação entre duas eleições mede o que foi declarado, não necessariamente o que foi acumulado. A comparação ganha peso quando o crescimento destoa da trajetória de renda conhecida do declarante, e é esse tipo de discrepância que o Ministério Público Eleitoral costuma examinar.
No caso em questão, a composição declarada concentra o patrimônio em imóveis e em crédito por empréstimo, rubrica que registra valores a receber de terceiros. Veículos e aplicações financeiras completam a relação. O sistema do TSE não exige detalhamento da origem dos recursos, apenas a descrição e o valor de cada bem.
A declaração no calendário eleitoral
A entrega da relação de bens é obrigatória no pedido de registro de candidatura e integra o conjunto de documentos exigidos pela Justiça Eleitoral. O prazo para que os partidos protocolem os registros nos tribunais eleitorais termina em 15 de agosto.
Todas as declarações ficam disponíveis para consulta pública no portal do TSE assim que o registro é processado, o que permite comparar candidatos e acompanhar a evolução patrimonial de quem disputa mandato de forma sucessiva. A prestação é de responsabilidade do próprio candidato, e informações incorretas podem ser questionadas em ação de impugnação.
A conferência das declarações é feita de forma cruzada pela Receita Federal e pelo Ministério Público Eleitoral, que podem comparar o informado à Justiça Eleitoral com a declaração de imposto de renda do mesmo período. Divergência entre os dois documentos é uma das hipóteses que abrem investigação, ainda que a maior parte dos casos se resolva com esclarecimento do candidato.
Dr. Luizinho, cujo nome de registro é Luiz Antônio de Souza Teixeira Júnior, exerce mandato de deputado federal pelo Rio de Janeiro. Ele foi líder do PP na Câmara dos Deputados e atuou como relator de propostas na área de saúde, sua formação de origem.
O Resenhando não localizou manifestação pública do parlamentar sobre a variação patrimonial registrada entre as duas declarações. O espaço permanece aberto para posicionamento.
Outros pré-candidatos já tiveram os números divulgados nesta rodada de registros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou R$ 4,7 milhões, valor inferior ao informado em 2022. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) declarou R$ 3,8 milhões, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), informou R$ 178,8 milhões.