Candidatos de 2026 declaram R$ 136,1 milhões em aviões e barcos
Senador Vanderlan Cardoso lidera com R$ 25,3 milhões em duas aeronaves; levantamento contou 12 helicópteros
Os candidatos às eleições de 2026 declararam R$ 136,1 milhões em aviões, helicópteros e barcos à Justiça Eleitoral, segundo levantamento do Poder360 com dados do Tribunal Superior Eleitoral compilados até as 15h30 deste sábado, 15 de agosto. Os números são preliminares, porque o prazo para registro de candidaturas terminou às 19h.
O maior declarante do grupo é o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), candidato à reeleição, com R$ 25,3 milhões em aeronaves. Ele informou dois aviões: uma participação de 11,11% em uma aeronave avaliada em R$ 13,3 milhões e a propriedade integral de outra, de R$ 11,9 milhões.
O levantamento contabilizou 12 helicópteros entre os bens declarados. A lista de modelos informados inclui um Embraer Phenom 100, de R$ 11,4 milhões, um Embraer Xingu 1982, de R$ 4 milhões, e um helicóptero Robinson R66, de R$ 3,8 milhões. Entre as embarcações aparecem uma lancha Real Powerboats 420, de R$ 1,1 milhão, e uma Ecomariner 44, de R$ 900 mil. Os dois modelos são lanchas de esporte e recreio, categoria que exige registro na Marinha.
O que a regra do TSE exige
Veículos, aeronaves e embarcações precisam ser informados na declaração de bens independentemente do valor. A regra vale para todos os candidatos e é o que permite montar esse tipo de comparação a partir da base pública do tribunal.
Os valores seguem o preço de aquisição, e não o de mercado. No caso de aeronaves e barcos, isso significa que o número declarado pode estar defasado em relação ao que o bem valeria hoje, em qualquer direção: aeronaves executivas usadas costumam se desvalorizar, enquanto modelos com produção encerrada podem se valorizar.
Também é comum a declaração de fração de um bem, e não da propriedade integral. Foi o caso da participação de 11,11% informada pelo senador goiano, um formato usado em aeronaves compartilhadas entre vários proprietários, prática frequente na aviação executiva brasileira.
O compartilhamento por cotas divide entre vários proprietários o custo de aquisição e de manutenção da aeronave, que inclui hangar, tripulação, seguro e revisões obrigatórias. Na declaração eleitoral, cada cotista informa apenas o percentual que detém, o que explica por que um mesmo avião pode aparecer fracionado em declarações de candidatos diferentes.
Como o dado se lê
Os R$ 136,1 milhões representam apenas a fatia de bens de transporte aéreo e náutico do patrimônio total declarado no país. O número não mede riqueza pessoal completa nem indica irregularidade: aeronave e embarcação são bens legais e de registro obrigatório, e a declaração é justamente o instrumento de transparência previsto na legislação eleitoral.
A utilidade do dado está na comparação. Aeronaves e barcos são os bens mais visíveis do patrimônio de um candidato e permitem dimensionar a distância entre a estrutura pessoal de quem disputa cargos e a renda média do eleitor. Também ajudam a acompanhar a prestação de contas de campanha, porque o uso de aeronave própria em deslocamento eleitoral precisa ser contabilizado como gasto.
Esse cruzamento ganha peso em eleição geral, em que candidatos a cargos majoritários percorrem estados inteiros em poucas semanas. O deslocamento aéreo é um dos itens mais caros da campanha e um dos que mais geram questionamento na prestação de contas, tanto pelo valor quanto pela dificuldade de comprovar a origem e o custo real de cada voo.
Os dados completos ficam abertos no sistema DivulgaCandContas, no portal do TSE, e no Portal de Dados Abertos do tribunal. Como o levantamento foi fechado antes do encerramento do prazo, o total tende a subir quando a base for consolidada com os registros apresentados nas últimas horas de sábado. No mesmo dia, o candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) declarou R$ 52,5 milhões ao TSE.