Dezessete candidatos levam Bolsonaro no nome de urna; 15 são do PL
Levantamento com dados do TSE até 7 de agosto mostra empate entre deputado estadual e federal, com sete registros cada
O Brasil tinha 17 candidatos registrados com o sobrenome Bolsonaro no nome de urna para as eleições de 2026 até as 16h de sexta-feira, 7 de agosto, segundo levantamento do Poder360 com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desse total, 15 concorrem pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e um pelo Progressistas.
Os registros se dividem entre quatro cargos. Deputado estadual e deputado federal estão empatados, com sete candidatos cada. O cargo de senador soma dois registros e o de deputado distrital, um.
Os números são preliminares. O prazo para o envio dos pedidos de registro de candidatura ao TSE termina em 15 de agosto, e o sistema segue recebendo cadastros até lá. Por isso, candidaturas já anunciadas publicamente ainda não constavam do sistema no momento do levantamento.
É o caso de três nomes da família. A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República e as de Michelle Bolsonaro (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado foram oficializadas na semana anterior ao corte, mas ainda não haviam sido cadastradas no sistema do tribunal.
Quem tem ligação direta com o ex-presidente
Da lista de 17 registros já processados, apenas dois candidatos têm vínculo familiar direto com Jair Bolsonaro. Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente, e Rogéria Bolsonaro, primeira mulher dele e mãe de Flávio, aparecem entre os nomes cadastrados.
Os demais registros são de candidatos que adotaram o sobrenome como nome de urna sem parentesco com a família. A prática é permitida pela legislação eleitoral. A Lei 9.504/1997 estabelece que o candidato pode indicar como nome de urna o prenome, o sobrenome, o apelido pelo qual é conhecido ou uma combinação desses elementos, desde que não haja duplicidade, não gere confusão quanto ao sexo e não atente contra o pudor.
A regra abre espaço para o uso eleitoral de nomes com forte reconhecimento nacional. O TSE pode indeferir o nome de urna quando há homonímia entre candidatos do mesmo partido ou coligação, e nesse caso aplica critérios de precedência definidos em resolução, com prioridade para quem já exerce mandato ou concorreu com aquele nome em pleito anterior.
O nome de urna é escolhido pelo próprio candidato no momento do pedido de registro e passa a valer para a exibição no equipamento de votação, na propaganda eleitoral gratuita e nas peças de campanha. É por ele que o eleitor identifica quem está votando, já que o nome civil completo aparece apenas na tela de confirmação.
Como o registro é processado até a votação
Depois de recebidos, os pedidos passam por análise da Justiça Eleitoral, que verifica documentação, filiação partidária, quitação eleitoral, prestação de contas e eventuais causas de inelegibilidade. Partidos, coligações, candidatos e o Ministério Público Eleitoral podem apresentar impugnação.
Enquanto o registro não é julgado em definitivo, a candidatura permanece com situação classificada como aguardando julgamento, e o nome pode ser retirado da urna se houver indeferimento com trânsito em julgado antes do pleito. O número final de candidatos com o sobrenome só será conhecido depois do encerramento do prazo e do julgamento dos pedidos.
O levantamento do Poder360 mede o cadastro no sistema do TSE, não a força eleitoral de cada candidatura. Em 2026 o eleitorado escolhe presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.
Outro caso recente de uso do sobrenome como nome de urna foi registrado em Mato Grosso, com um candidato a deputado federal, tema tratado em reportagem anterior do Resenhando.
O TSE mantém a consulta pública de candidaturas no sistema DivulgaCandContas, atualizada conforme os registros são processados pelos tribunais regionais eleitorais. A base permite verificar cargo, partido, nome de urna, bens declarados e situação do registro de cada candidato.