Tesouro anuncia nova recompra de NTN-B e cancela leilão de LFT após tombo do mercado
Durigan autorizou a operação e cita contingenciamento maior e busca do centro da meta fiscal
O Tesouro Nacional anunciou nesta terça-feira, 27, que fará um novo leilão de recompra de títulos públicos e cancelou o próximo leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), as papeletas do Tesouro Selic. A decisão vem um dia depois de a Bolsa cair 13,88% e o dólar subir 8,21% com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A recompra vai mirar Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), atreladas à inflação, com vencimentos em 15 de agosto de 2030, 15 de maio de 2035, 15 de agosto de 2040 e 15 de maio de 2045. As condições, como o volume e o horário, serão publicadas em edital no site do Tesouro Nacional. Até a publicação desta matéria, o valor da operação não havia sido informado.
O que o ministro autorizou
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse a jornalistas em Brasília que havia autorizado o secretário do Tesouro a agir caso as condições de mercado exigissem. "Hoje a gente pode, sim, ter nova recompra de título do Tesouro. Eu falei com o secretário do Tesouro hoje de manhã e disse para ele que eu autorizo, na medida em que tiverem colocadas as condições e as necessidades de fazer intervenção", afirmou, segundo a reportagem da Folhapress publicada pelo Jornal de Brasília.
Na segunda-feira, 26, o Tesouro já tinha feito duas operações extraordinárias, uma de manhã com papéis prefixados e outra à tarde com títulos indexados à inflação. A Agência Brasil informa que o total recomprado passou de R$ 14,8 bilhões. Durigan havia citado cerca de R$ 10 bilhões e ressalvou que os números exatos seriam divulgados pelo Tesouro.
O ministro atribuiu a oscilação ao desmonte de posições financeiras montadas antes da eleição. "O mercado estava apostando numa vitória eleitoral", disse, referindo-se ao adversário de Lula no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para Durigan, a reação não indica desconfiança nos fundamentos da economia.
Meta fiscal e contingenciamento
Em declaração separada, o ministro afirmou que o governo vai discutir com o mercado e com o setor privado ajustes que favoreçam o cumprimento da meta fiscal. "Nosso compromisso é com a responsabilidade fiscal, com a estabilidade fiscal e isso vai ser buscado com diálogo", disse, conforme a Agência Brasil.
Entre as medidas em estudo, ele citou ampliar a parcela do Orçamento da União que pode ser contingenciada, o que depende de aprovação do Congresso Nacional, e reforçar a obrigação de o governo buscar o centro da meta, e não apenas o limite inferior da faixa de tolerância. "Já temos várias medidas sendo estudadas e algumas prontas", afirmou.
O anúncio das propostas, segundo Durigan, depende de autorização de Lula, que ainda precisa definir os integrantes da equipe econômica do novo mandato. A posse está marcada para 5 de janeiro. O Resenhando já noticiou a forte queda do Ibovespa e o cancelamento de leilões na segunda-feira e a reunião do Copom de 4 de novembro, que decide a Selic hoje em 13,75%.