Sem bets, 7 clubes da Série A jogam sem patrocinador máster; Fux deve julgar só após o 2º turno
Flamengo, Fluminense e São Paulo protestaram nas camisas; as casas de apostas respondiam por 34% do marketing dos 20 maiores clubes
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Sete dos 14 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro que tinham casa de apostas como patrocinadora ficaram sem patrocinador máster na camisa depois da medida provisória que proibiu a publicidade do setor. O levantamento é do Poder360, publicado neste domingo, 18, e considera as duas últimas rodadas do campeonato.
Bahia, Cruzeiro, Grêmio, Vitória, Palmeiras, Chapecoense e Atlético-MG entraram em campo sem marca no espaço principal. O Internacional está nessa condição desde janeiro, quando rescindiu com a Alfa Bet.
Como os clubes ocuparam o espaço das bets
Os outros times tomaram caminhos diferentes. O Corinthians passou a exibir a Shopee até o fim do Brasileiro. Fluminense e São Paulo trocaram a marca Superbet pela Superscore, plataforma de estatísticas ligada ao mesmo grupo. O Santos, que usou a camisa para divulgar o Instituto Leão do Mar, vai estampar a Agibank até o fim da temporada.
Botafogo, Vasco e Athletico-PR usaram o espaço para os programas de sócio-torcedor Camisa 7, Sócio Gigante e o próprio plano do clube. Remo (Banpará), Red Bull Bragantino (Red Bull) e Mirassol (Guaraná Poty) já tinham outras marcas no centro do uniforme.
Protesto nas camisas e na arquibancada
Flamengo e Fluminense estamparam a frase “Proibir não é proteger” no clássico de 11 de outubro, no Maracanã, pela 30ª rodada. O Flamengo já havia usado a mensagem em 8 de outubro, contra o Santos. O São Paulo também aderiu, como informou a Gazeta Esportiva. No setor Norte do estádio, torcedores abriram três faixas que, juntas, diziam: “O futebol brasileiro não pode ser vítima desse gol contra. Lula, Congresso e STF”.
A campanha é conduzida pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). Segundo o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, a iniciativa partiu das patrocinadoras máster dos clubes, Betano e Superbet. As entidades dizem que a proibição das casas regulamentadas favorece plataformas clandestinas, sem fiscalização nem proteção ao apostador.
O que falta decidir no Supremo e no Congresso
Clubes e representantes do setor pedem ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão da medida provisória que vetou publicidade, marketing e patrocínio de apostas de quota fixa. O relator das ações, ministro Luiz Fux, só deve analisar o caso depois do segundo turno das eleições, em 25 de outubro, segundo o Poder360.
A Advocacia-Geral da União (AGU) defende manter a proibição. Pediu que o STF ouça a Procuradoria-Geral da República e avalie uma audiência pública antes de decidir. As entidades contrárias sustentam que a medida é inconstitucional. A MP ainda precisa ser votada pelo Congresso Nacional em 120 dias para virar lei.
Quanto as bets representam para os clubes
Pesquisa da Sports Value mostra o peso do setor. As casas de apostas responderam por 34% das receitas de marketing dos 20 maiores clubes do país em 2025. Os times movimentaram R$ 3,2 bilhões em marketing no ano, e cerca de R$ 1,1 bilhão veio de patrocínios de apostas.
O Resenhando já mostrou o peso das bets na receita dos clubes, com o caso do Flamengo, e o pedido de liminar de ANJL e IBJR ao ministro Fux.
Fontes: Poder360, com a adesão do São Paulo ao protesto confirmada pela Gazeta Esportiva.