Setor produtivo pressiona o Senado para votar o Redata nesta semana
Manifesto de mais de 30 entidades e frentes parlamentares pede a votação do PL 278/2026 no esforço concentrado e defende emenda que libera gás, nuclear e biometano
Mais de 30 entidades empresariais e frentes parlamentares assinaram manifesto que pressiona o Senado a votar o projeto do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, o Redata, durante a semana de esforço concentrado. O texto tramita como PL 278/2026 e o pedido é que a votação ocorra entre 11 e 13 de agosto.
Os signatários sustentam que o país tem uma janela limitada para disputar investimentos globais em infraestrutura digital e que a demora empurra projetos para mercados com condições tributárias e regulatórias mais competitivas. "A janela de oportunidade para o Brasil atrair grandes investimentos em data centers está se fechando", diz o documento.
O que o projeto prevê
O Redata cria regime tributário específico para a instalação e a operação de data centers no Brasil, com desoneração de tributos federais sobre a aquisição de bens e serviços destinados a esses empreendimentos. O objetivo declarado é reduzir o custo de capital de um setor em que o investimento inicial se concentra em equipamentos importados de alto valor.
O manifesto apresenta a comparação de custo como principal argumento. Segundo o documento, instalar um data center no Brasil custa 26% mais que nos Estados Unidos e 35% mais que no Chile, diferença que o regime pretende reduzir. A estimativa dos signatários é de potencial para atrair entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões em quatro anos.
O investimento global no setor é projetado em cerca de US$ 3 trilhões nos próximos anos, valor que explica a disputa entre países por sede de processamento de dados e de treinamento de modelos de inteligência artificial. Entre as entidades que assinam o texto estão a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, por meio de seu Conselho de Economia Digital e Inovação, e a Associação Brasileira de Tecnologia para o Comércio e Serviços.
Energia é o ponto de disputa
O grupo pede alterações no texto e manifesta apoio à Emenda 22, que prevê o uso de fontes de geração firme, entre elas gás natural, energia nuclear e biometano, de forma complementar às renováveis. A demanda energética é o gargalo apontado para a instalação de grandes centros de processamento, já que a operação exige fornecimento contínuo e previsível, sem interrupção sazonal.
É nesse ponto que a proposta esbarra na disputa entre setores industriais e energéticos. Um data center de grande porte consome energia em escala equivalente à de uma planta industrial, com a diferença de que não admite parada. Restringir a matriz apenas a fontes intermitentes inviabilizaria o projeto, enquanto abrir espaço para térmicas atrai resistência de quem defende prioridade para geração renovável.
A matéria chega ao Senado junto com o PLP 74/2026, que trata dos efeitos jurídicos e orçamentários decorrentes da perda de eficácia da Medida Provisória 1.318/2025. A MP era o caminho original do regime e caducou sem votação, o que devolveu a discussão ao rito ordinário de projeto de lei.
O projeto já havia ficado de fora da pauta em fevereiro, quando o Senado encerrou a semana sem votar o Redata e o governo passou a buscar uma reedição do texto por outra via. A cada adiamento, a discussão volta ao mesmo impasse: quem defende o regime trata a desoneração como condição de entrada no mercado global, e quem resiste cobra contrapartidas de emprego, de conteúdo local e de uso de energia.
O Senado abriu a semana de esforço concentrado com reuniões deliberativas nas comissões e sessões no Plenário, em calendário apertado pela proximidade do período eleitoral. A pauta concentra propostas represadas desde antes do recesso, e a disputa por espaço é o principal risco para quem defende a votação imediata do regime.
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