Minerais críticos e estratégicos empregam 129,4 mil no Brasil; ferro responde por mais da metade
Painel da ANM mostra que Minas, Pará e Bahia concentram 76% das vagas do setor em 2025
O setor de minerais críticos e estratégicos empregou 129.423 pessoas no Brasil em 2025, o equivalente a 57% dos 226.634 empregos formais da indústria extrativa mineral do país. Os números constam do Portal de Minerais Críticos e Estratégicos, lançado na semana passada pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e divulgado pela Agência Brasil neste domingo, 18.
O painel usa microdados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. Em relação a 2023, o emprego no segmento cresceu 8,6%. Pela conta do Resenhando, isso equivale a pouco mais de 10 mil vagas novas em dois anos.
Três estados concentram a maior parte das vagas: Minas Gerais, com 62.631, o Pará, com 27.047, e a Bahia, com 9.147. Juntos, somam 98.825 empregos, cerca de 76% do total.

O recorte por substância mostra um perfil menos associado ao debate sobre terras-raras e lítio. O ferro responde sozinho por 70.027 postos, mais da metade do total, e os metais preciosos por 21.313. A ANM relaciona 21 substâncias no painel, entre elas alumínio, ouro, cobre, nióbio, titânio, terras-raras e lítio. A reportagem da Agência Brasil não separa o número de empregos de cada uma das duas últimas, e o Resenhando não encontrou esse recorte na divulgação.
Quem trabalha no setor e quanto ganha
Os homens ocupam 100.765 vagas (78%) e as mulheres, 28.658 (22%). Os trabalhadores com ensino superior somam 30.707, ou 14% do universo de 226.634 empregos da extração mineral. Outros 51.714 postos, 23% do mesmo universo, foram classificados como mão de obra qualificada.
A remuneração média varia com a escolaridade. Segundo o portal, quem tem ensino fundamental ganhou em média R$ 3.218 em 2025, quem tem ensino médio, R$ 4.142, e quem tem ensino superior, R$ 11.856.
Os municípios com mais empregados são Parauapebas (PA), com 8.234, Nova Lima (MG), com 8.218, e Congonhas (MG), com 7.114. Em Nova Lima, 4.776 dos 8.218 trabalhadores têm nível superior, algo como 58% do quadro. Em Parauapebas, são 1.851 de 8.234, e em Congonhas, 1.234 de 7.114.
Produção e política pública
Além do emprego, o portal traz dados de investimento, produção e comércio exterior. De acordo com os indicadores da ANM citados pela Agência Brasil, o país tinha 1.012 áreas em produção em 2025, que somaram R$ 250,4 bilhões.
O levantamento chega um mês depois da sanção da lei que criou a Política Nacional de Minerais Críticos, com fundo garantidor de R$ 2 bilhões. O marco legal do setor também tramitou no Senado neste ano. O painel passa a servir de referência para comparar o emprego do setor nos próximos levantamentos.
A ANM mantém o portal aberto à consulta, com o mapa dos municípios produtores e os dados de perfil dos trabalhadores.