Economia

IBC-Br sobe 0,3% em agosto puxado pela indústria, mas trimestre fecha no vermelho

Prévia do PIB calculada pelo Banco Central teve queda de 1,8% no agro na comparação com julho; no ano, a alta acumulada é de 1,6%

Neste texto5 tópicos
  1. Agosto contra julho, setor por setor
  2. Na comparação com agosto de 2025
  3. O sinal de alerta
  4. O que é o IBC-Br
  5. Como ler as comparações

A atividade econômica brasileira cresceu 0,3% em agosto na comparação com julho, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados foram divulgados pelo Banco Central e detalhados pela Agência Brasil.

O resultado positivo do mês veio da indústria. O campo andou na direção contrária.

Agosto contra julho, setor por setor

SetorVariação
Indústria+0,9%
Serviços+0,2%
Impostos+0,1%
Agropecuária-1,8%
IBC-Br total+0,3%

Sem a agropecuária, que oscila muito por causa das safras, o índice também subiu 0,3%.

Na comparação com agosto de 2025

Contra o mesmo mês do ano passado, o IBC-Br avançou 1,2%. Aqui o agro aparece como destaque, com alta de 5,8%, seguido por serviços (+1,3%), indústria (+0,4%) e impostos (+0,3%). Excluindo a agropecuária, a alta anual foi de 0,9%.

No acumulado de janeiro a agosto, a economia cresce 1,6%. Em 12 meses, o ritmo é o mesmo: 1,6%.

O sinal de alerta

O número que pesa contra é o do trimestre. Entre junho e agosto, a atividade recuou 0,6% em relação aos três meses encerrados em maio. Ou seja, a alta de agosto não compensou a perda acumulada nos meses anteriores.

O dado ajuda a entender o tom dos últimos relatórios sobre a economia. A produção agrícola, que segurou o PIB no primeiro semestre, perdeu força no segundo, como mostrou o Resenhando na cobertura das propostas do governo para o fim da escala 6x1. Juros altos continuam encarecendo o crédito para empresas e famílias.

O que é o IBC-Br

O índice é calculado mensalmente pelo Banco Central a partir de indicadores de produção da indústria, do comércio, dos serviços e do campo. Ele não substitui o PIB oficial, divulgado a cada trimestre pelo IBGE, mas costuma antecipar a tendência e serve de referência para as decisões sobre a taxa Selic.

O PIB do terceiro trimestre, que inclui julho, agosto e setembro, será divulgado pelo IBGE no início de dezembro.

Como ler as comparações

A comparação com o mês anterior usa dados com ajuste sazonal, que tiram o efeito de datas e safras que se repetem todo ano. Ela mostra o rumo de curto prazo. Já a comparação com o mesmo mês do ano anterior dispensa esse ajuste e mostra o tamanho da economia hoje frente a um ano atrás. Por isso, o agro pode cair 1,8% sobre julho e, ao mesmo tempo, estar 5,8% acima de agosto de 2025: a colheita deste ano foi maior, mas o pico já passou.

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