Haddad diz que o Brasil não precisa dos EUA e vai exportar para todo lado
Candidato do PT ao governo de São Paulo respondeu sobre o efeito do tarifaço no agronegócio paulista em entrevista à Jovem Pan
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 18, em entrevista à Jovem Pan, que o Brasil não depende dos Estados Unidos para sustentar suas exportações e que a resposta ao tarifaço americano é ampliar a venda de produtos para outros mercados. A declaração foi dada ao responder sobre o efeito das tarifas no agronegócio paulista.
"A melhor resposta que a gente pode dar aos Estados Unidos pelas tarifas que o Tarcísio e o Eduardo Bolsonaro apoiaram é mostrar que não precisamos deles para viver, que vamos exportar para todo lado", disse Haddad, segundo a Gazeta do Povo.
Na mesma entrevista, o ex-ministro da Fazenda afirmou que o Brasil deve superar os Estados Unidos em exportação de alimentos até o fim do ano e deixou aberta a porta para negociação. "Se quiserem ficar de bem com a gente, somos os primeiros a sentar para negociar", declarou.
A fala mira os dois nomes que Haddad enfrenta na disputa paulista e no debate nacional sobre o tarifaço. Tarcísio de Freitas (Republicanos) governa São Paulo e tenta a reeleição. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou em Washington durante a articulação que antecedeu a sobretaxa americana. Haddad deixou o Ministério da Fazenda em março para disputar o Palácio dos Bandeirantes e registrou a candidatura no TSE em 12 de agosto.
O que dizem os dados de exportação
Os números do comércio exterior mostram um mercado americano em retração para o produto brasileiro. A participação dos Estados Unidos nas exportações do Brasil caiu de 12,1% no primeiro semestre de 2025 para 9,4% no mesmo período de 2026, o menor patamar desde o início da série do Comex Stat, em 1997, segundo levantamento divulgado pela Amcham Brasil e pelo Poder360.
Em valores, as vendas ao mercado americano somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre, queda de 13% na comparação anual. As perdas se concentraram em café, petróleo e aço, produtos atingidos pelas sobretaxas.
O recuo não elimina o peso do parceiro. Os Estados Unidos seguem como segundo maior destino das exportações brasileiras em bens e como principal comprador de produtos industrializados, faixa em que trocar de mercado é mais difícil do que na venda de commodities. O agronegócio paulista, tema da pergunta feita ao candidato, exporta café e suco de laranja para os americanos.
Como fica a negociação com Washington
O governo brasileiro abriu em agosto o processo de reciprocidade contra as tarifas americanas, com base na Lei 15.122, e a decisão sobre aplicar ou não contramedidas segue em análise na Câmara de Comércio Exterior. A Amcham Brasil pediu que o país evite acionar o mecanismo, com o argumento de que a medida encarece insumos importados pela indústria nacional.
Em paralelo, o Executivo montou linhas de apoio ao exportador atingido, entre elas os R$ 210 milhões reservados pela ApexBrasil para empresas afetadas pelo tarifaço.
A Lei 15.122 autoriza o Executivo a adotar contramedidas comerciais contra país que imponha barreira unilateral a produtos brasileiros, mas não obriga a aplicação automática. A avaliação de custo e efeito cabe à Camex, e o processo aberto em agosto é o primeiro acionamento do instrumento contra os Estados Unidos.
Na campanha paulista, o tarifaço entrou no primeiro debate entre os candidatos, na Band, quando a disputa estadual assumiu contornos de eleição nacional. A declaração desta terça repete o movimento: o candidato petista tenta associar Tarcísio e Eduardo Bolsonaro ao custo da sobretaxa para o exportador do estado.
A diversificação de destinos é a linha que o governo federal sustenta desde a entrada em vigor das tarifas, com negociações abertas na Ásia, no Oriente Médio e na União Europeia. O argumento do candidato petista repete essa posição e a transporta para a campanha paulista, onde a conta do tarifaço recai sobre exportadores do estado.