Brent sobe a US$ 111,99 após Irã dizer que sete petroleiros foram incendiados em Ormuz
Barril avança 2,91% em 24 horas depois de ataque houthi a aeroporto saudita; EUA mandam diplomatas deixar a Arábia Saudita
O barril do petróleo tipo Brent chegou a US$ 111,99 às 9h51 desta quinta-feira, 22, alta de 2,91% em 24 horas, depois que o Irã informou que sete navios petroleiros foram incendiados no Estreito de Ormuz. Segundo o Metrópoles, o governo iraniano disse que as embarcações foram atingidas por ataques do próprio país ou por minas instaladas na passagem.
Ormuz é a principal via de saída do petróleo produzido no Golfo Pérsico, região que reúne Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e o próprio Irã. Por isso a notícia de navios atingidos ali move a cotação de imediato.
Ataque na Arábia Saudita e evacuação de diplomatas
A escalada vem de uma sequência de ações. Na noite de quarta-feira, 21, os houthis, grupo iemenita apoiado pelo Irã, atacaram o Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam, na Arábia Saudita. A ofensiva deixou dois mortos e oito feridos. Circulam relatos, ainda não confirmados, de que o Irã também teria atingido instalações sauditas. Os Estados Unidos orientaram seus diplomatas a deixar a Arábia Saudita.
O Irã não detalhou quais petroleiros foram atingidos nem a bandeira de cada um. Os dados sobre o ataque em Dammam vêm de relatos de imprensa, sem balanço divulgado pelo governo saudita.
De onde o Brent partiu
Na terça-feira, 20, o Brent havia fechado em queda de 0,69%, a US$ 108,79 por barril, de acordo com a Agência Brasil. A cotação de quinta ficou cerca de US$ 3,20 acima desse fechamento.
O recuo de terça tinha ajudado os ativos brasileiros. O dólar comercial encerrou o dia a R$ 5,019, o terceiro pregão seguido de queda, e o Ibovespa fechou em 208.295,98 pontos, alta de 1,57% e maior nível desde 9 de outubro. A Agência Brasil apontou a queda do petróleo entre os fatores que elevaram o apetite por risco naquela sessão. Com o barril de volta acima de US$ 110, o alívio de terça ficou para trás.
O custo do combustível já pesa nas contas públicas. Em agosto, o governo editou a MP 1.381, que liberou R$ 3,47 bilhões para subsidiar diesel e derivados. Quando o barril sobe, aumenta a pressão para que a diferença seja paga pelo Tesouro ou repassada às bombas. Até a publicação desta matéria, não havia anúncio da Petrobras sobre reajuste em resposta à alta de quinta.
Para acompanhar a reação do mercado, a referência seguinte é o fechamento do Brent e do dólar nesta quinta-feira, que mostrará se a alta da manhã se manteve ao longo do pregão. A cobertura anterior do dólar no Resenhando traz o histórico da moeda nas semanas recentes.