Bandeira amarela segue em agosto e mantém a conta de luz mais cara
Aneel confirmou o quarto mês seguido de cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu nesta sexta-feira, 31, a bandeira tarifária amarela para agosto. Com a decisão, o consumidor brasileiro segue pagando R$ 1,885 a mais a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, valor que se soma à tarifa da distribuidora na fatura de energia.
É o quarto mês consecutivo com a bandeira amarela em vigor. Para uma residência com consumo de 200 kWh no mês, a cobrança extra fica em R$ 3,77. Em 300 kWh, sobe para R$ 5,66. Em 500 kWh, chega a R$ 9,43.
A agência atribuiu a manutenção às condições menos favoráveis de geração no país. O período seco reduziu o nível dos reservatórios das hidrelétricas e obrigou o acionamento de usinas termelétricas, cuja geração custa mais caro. O sistema de bandeiras existe justamente para repassar esse custo adicional ao mês em que ele ocorre, em vez de acumulá-lo para o reajuste anual.
Quanto custa cada patamar
O mecanismo tem quatro estágios. A bandeira verde não gera cobrança adicional. A amarela, em vigor, cobra R$ 1,885 por 100 kWh. A vermelha patamar 1 cobra R$ 4,46 e a vermelha patamar 2, R$ 7,87 pela mesma faixa de consumo.
A definição é mensal e leva em conta o custo variável da geração térmica e o risco hidrológico calculado a partir dos dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Quanto mais o país depende de térmica, maior a chance de acionamento da bandeira vermelha.
Agosto e setembro concentram historicamente a parte mais rígida do período seco no Sudeste e no Centro-Oeste, onde estão os principais reservatórios do Sistema Interligado Nacional. A trajetória da bandeira nos próximos meses depende do volume armazenado e do ritmo de retomada das chuvas.
O que o consumidor pode fazer
A cobrança da bandeira incide sobre o consumo medido, e não sobre um valor fixo. Reduzir o uso derruba as duas parcelas da conta ao mesmo tempo, a tarifa e o adicional.
- Chuveiro elétrico: banho de 10 minutos na posição inverno em um chuveiro de 5.500 W consome cerca de 0,9 kWh.
- Ar-condicionado: cada grau a menos no termostato aumenta o consumo do aparelho.
- Geladeira: borracha de vedação ressecada mantém o compressor ligado por mais tempo.
- Aparelhos em espera: televisão, decodificador e carregador ligados na tomada seguem consumindo.
A conta de luz também carrega tributos e encargos setoriais que independem da bandeira, como ICMS, PIS, Cofins e a Conta de Desenvolvimento Energético. A bandeira é a parcela que o consumidor vê mudar mês a mês, mas não é a única que pesa no valor final.
A Aneel divulga a bandeira do mês seguinte sempre no fim do mês corrente. A próxima definição, referente a setembro, será anunciada ao final de agosto.