Economia

ONS corta geração de energia pela segunda vez no ano

Operador suspendeu a produção excedente no domingo, das 11h às 13h30, diante do excesso de oferta no Sistema Interligado Nacional

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) suspendeu a geração excedente de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) neste domingo, 23 de agosto, entre 11h e 13h30. Foi a segunda vez no ano que o operador acionou o plano emergencial para reduzir a produção diante do excesso de oferta, segundo informou a Agência Brasil.

O corte atingiu pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa e empreendimentos eólicos e solares de menor porte, classificados pelo operador como Type 3. O ONS também reduziu a produção das usinas que estão sob seu controle direto.

A primeira ocorrência do ano foi em 7 de junho, quando o operador gerenciou cerca de 1.000 MW. O volume cortado neste domingo não foi informado.

Por que sobra energia no domingo

O motivo técnico é a combinação de consumo baixo com oferta alta. Nos fins de semana, a indústria e o comércio reduzem a atividade e a demanda cai, enquanto a geração solar e eólica continua entrando no sistema no mesmo ritmo. Quando o excedente não pode ser escoado nem armazenado, o operador precisa cortar geração para manter a frequência e a estabilidade da rede.

O crescimento da geração distribuída, os painéis instalados em telhados de casas e empresas, agrava o quadro porque essa produção não é controlada pelo operador. Em agosto de 2025, essa modalidade chegou a responder por 37,6% da demanda do sistema. No mesmo mês do ano passado, o ONS chegou a cortar 98,5% da geração eólica e solar centralizada em determinado momento.

Quem paga a conta do corte

Esse é o ponto que o setor discute há dois anos e que a ocorrência de domingo recoloca. O gerador que é desligado por ordem do operador deixa de faturar energia que tinha capacidade de produzir, e a disputa sobre quem arca com esse prejuízo, se o gerador, o consumidor ou o sistema, corre na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e no Judiciário. O custo do corte deste domingo não foi divulgado.

O corte de geração renovável não é exclusividade brasileira, mas aqui ele cresceu em ritmo acelerado porque a capacidade instalada de eólicas e solares avançou sobre uma rede que não foi ampliada no mesmo passo. O resultado é um sistema que produz mais energia do que consegue transportar em determinados horários e precisa desligar usinas que já estão construídas e contratadas.

O gargalo por trás do problema é conhecido: a expansão da geração renovável no Nordeste avançou mais rápido do que a construção de linhas de transmissão capazes de levar essa energia aos centros de consumo. O tema foi debatido em audiência no plenário do Senado em 11 de agosto, quando representantes do setor cobraram previsibilidade nas regras de compensação.

Até a publicação desta reportagem, o ONS não havia divulgado nota específica sobre a ocorrência de domingo além das informações repassadas à Agência Brasil, e a Aneel não havia se pronunciado publicamente sobre o episódio.

Leia também: Senado debate gargalos que travam a expansão das energias renováveis.

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