Banco de Edir Macedo tem prejuízo de R$ 581 milhões e capital negativo
Índice de Basileia do Digimais ficou em -4,62%, contra o mínimo de 10,5% exigido pelo Banco Central
O Banco Digimais, controlado pelo grupo do bispo Edir Macedo, registrou prejuízo líquido de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre de 2026, segundo os dados enviados ao Banco Central e publicados no sistema IFData. No mesmo período de 2025, a instituição havia registrado lucro líquido de R$ 42,1 milhões.
O balanço também mostra o índice de Basileia em -4,62%. O indicador mede quanto capital próprio o banco tem para suportar os riscos que assumiu, e o piso exigido pela regulação brasileira é de 10,5%. Um índice negativo significa que o patrimônio de referência não cobre a exposição do banco.
Ao fim do semestre, o Digimais somava R$ 9,8 bilhões em ativos, queda de 1,6% na comparação com junho de 2025, e R$ 9,5 bilhões em passivos, alta de 2% no mesmo intervalo. Os depósitos totalizavam R$ 8,7 bilhões, em sua maioria cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Os números foram divulgados pelo Poder360 em 18 de setembro, a partir do IFData. O veículo informou que procurou o banco por e-mail e não obteve resposta até a publicação da reportagem. A Revista Oeste também reportou o resultado.
O que a Polícia Federal apura
Em junho de 2026, o Digimais foi alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal. A apuração trata de irregularidades semelhantes às investigadas no Banco Master: relatórios do Banco Central apontaram indícios de manipulação de demonstrativos contábeis e de registros regulatórios.
A suspeita levantada pelos investigadores é de que as práticas serviriam para ocultar a situação real do banco, aparentar solvência diante dos órgãos de controle e permitir a continuidade de operações irregulares.
O caso Master, que corre no Supremo Tribunal Federal, mantém preso o banqueiro Daniel Vorcaro. A defesa dele pediu ao ministro Edson Fachin a revogação da prisão preventiva nesta semana.
A negociação com o BTG Pactual
Em abril, o BTG Pactual comunicou ter assinado um acordo de intenção de compra do Digimais. O objetivo declarado era estabelecer um valor de referência para a possível aquisição da totalidade das ações do banco.
A operação desenhada prevê participação do FGC e um leilão no modelo conhecido como stalking horse, em que um comprador apresenta a proposta inicial e serve de piso para outros interessados. O desenho não foi concluído.
O FGC é uma entidade privada mantida com contribuições das próprias instituições financeiras e paga os depósitos de clientes, dentro de um limite por CPF, quando um banco é liquidado. A conta de cada resgate é rateada pelo sistema bancário que o financia.
O Digimais é o banco ligado ao grupo de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.
Até a noite deste sábado (19), as reportagens que trataram do balanço não registravam manifestação do banco sobre o resultado.