Americanas deixa a recuperação judicial; credores ainda podem pedir falência
Juiz diz que o plano foi cumprido, mas credores prejudicados ainda podem pedir execução ou falência. Veja prazos, ações e a fraude de R$ 20 bi.
A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro decretou nesta segunda-feira, 19, o fim da recuperação judicial do Grupo Americanas. O juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira reconheceu que a empresa cumpriu as obrigações do plano aprovado pelos credores, segundo a Agência Brasil. A decisão admite recurso.
O processo durou 3 anos e 9 meses. Começou em janeiro de 2023, depois que a varejista revelou inconsistências contábeis estimadas em cerca de R$ 20 bilhões. O plano foi aprovado em dezembro de 2023 e homologado pela Justiça em fevereiro de 2024. Segundo a empresa, 91% dos credores votaram a favor, informou o g1.
A administração judicial e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deram parecer favorável ao encerramento. Com a sentença, a expressão "em recuperação judicial" deve sair do nome das empresas do grupo nos registros oficiais.
O fim do processo não zera as cobranças. Na sentença, o juiz escreveu: "Qualquer credor que se repute prejudicado por descumprimento de obrigação do plano poderá requerer a execução específica ou a falência". O administrador judicial terá 15 dias para apresentar o relatório sobre a execução do plano e 30 dias para prestar contas, conforme o Metrópoles.
Em fato relevante ao mercado, a Americanas disse que o encerramento "representa um marco importante na trajetória da Companhia e inaugura uma nova etapa de seus negócios". O comunicado é assinado pelo diretor financeiro e de relações com investidores, Sebastien Durchor.
A empresa também informou que as vendas nas lojas em funcionamento cresceram 9,3% no primeiro semestre de 2026 e que os ganhos de eficiência operacional somaram R$ 500 milhões. Segundo o g1, as ações da companhia fecharam o dia em alta de quase 7%, a R$ 5,97.
O plano previa um aporte de R$ 12 bilhões dos acionistas de referência, Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles. O g1 informa que a dívida considerada no plano passava de R$ 50 bilhões, dos quais cerca de R$ 42 bilhões eram débitos sujeitos à renegociação com credores. Ao pedir a recuperação, a empresa havia falado em dívidas de aproximadamente R$ 43 bilhões.
A fraude segue em apuração criminal. De acordo com o Metrópoles, 12 ex-executivos da Americanas se tornaram réus na semana passada, acusados de participação nas irregularidades contábeis. A investigação aponta que operações financeiras deixavam de ser registradas corretamente e que receitas eram infladas nos balanços.
Para acompanhar a economia da semana, o Resenhando publicou o Monitor do PIB da FGV, que estima alta de 0,5% em agosto, e a projeção do FMI de 2,2% para o PIB brasileiro em 2026.