Cultura

Morre a atriz Laura Cardoso, aos 98 anos, em São Paulo

Família confirmou a morte na madrugada desta terça; velório foi no Funeral Home, na Bela Vista

A atriz Laura Cardoso morreu aos 98 anos na noite desta segunda-feira, 17, em casa, no bairro do Sumaré, zona oeste de São Paulo. A morte foi confirmada pela família na madrugada desta terça-feira, 18, em publicação nas redes sociais da artista. A causa não foi detalhada pelos familiares; veículos que noticiaram o caso registraram morte por causas naturais, após a atriz passar mal.

"Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso", diz a mensagem divulgada pela família.

O velório foi realizado nesta terça-feira, das 8h às 14h, no Funeral Home, na Bela Vista, região central de São Paulo. A cerimônia não foi aberta ao público. O local do sepultamento não havia sido divulgado até a publicação desta reportagem.

Laurinda de Jesus Cardoso nasceu em 13 de setembro de 1927, no bairro do Bixiga, em São Paulo. Começou no rádio em 1942, na Rádio Cosmos, aos 15 anos. Chegou à televisão em 1950, na TV Tupi, e estreou no teatro em 1959, na peça "Plantão 21". Somou mais de oito décadas de trabalho em rádio, teatro, televisão e cinema.

Os papéis que marcaram a carreira

Na televisão, interpretou Cosette em "Os Miseráveis", de 1958, ainda na fase inicial da teledramaturgia brasileira. Passou por "Quando o Amor é Mais Forte", de 1964, e "Ídolo de Pano", de 1974.

Na TV Globo, para onde foi nos anos 1980, viveu Isaura em "Mulheres de Areia", de 1993, um de seus papéis mais lembrados. Depois, fez Doroteia em "Gabriela", de 2012, Dona Sinhá em "Sol Nascente", de 2016, e Caetana em "O Outro Lado do Paraíso", de 2017. A última participação em novela foi em "A Dona do Pedaço", em 2019.

No cinema, atuou em mais de 30 filmes, entre eles "Copacabana", de 2001, "O Outro Lado da Rua", de 2004, e "De Onde Eu Te Vejo", de 2016. O trabalho mais recente foi "Dona Rosinha", lançado no ano passado, quando a atriz tinha 97 anos.

O conjunto reúne mais de cem trabalhos em rádio, teatro, televisão e cinema. A permanência em cartaz até os anos finais da vida é incomum na profissão: a atriz seguiu aceitando papéis quando já havia completado nove décadas.

Ao longo da carreira, recebeu três prêmios Grande Otelo, cinco prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e dois prêmios Shell. Em 2006, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural.

Do rádio ao streaming

A carreira de Laura Cardoso atravessou a formação do mercado audiovisual brasileiro. Ela começou quando o rádio era o principal veículo de entretenimento do país, passou pela televisão em preto e branco da TV Tupi e chegou às produções de maior orçamento das últimas décadas.

Sua atuação se concentrou em personagens populares, com forte presença em papéis de matriarcas, benzedeiras e mulheres do interior. Foi um repertório construído em produções de alcance nacional, exibidas em horários de maior audiência, o que explica o reconhecimento por várias gerações de telespectadores.

A estreia em "Os Miseráveis", em 1958, ocorreu quando a teledramaturgia brasileira ainda operava com transmissão ao vivo e sem recurso de edição, formato que exigia do elenco desempenho contínuo diante das câmeras. Os prêmios vieram tanto do teatro, com dois Shell, quanto do cinema, com três Grande Otelo, o que distingue sua carreira da de intérpretes restritos a um único meio.

A trajetória também acompanha a mudança do modelo de produção: começou em uma indústria concentrada em poucas emissoras e encerrou a carreira em um mercado disputado por plataformas de streaming, tema que hoje ocupa o Congresso na discussão sobre a regulação do streaming e a cobrança da Condecine.

Laura Cardoso esteve ligada à TV Globo desde os anos 1980 e manteve trabalhos na emissora até 2019. A assessoria da atriz não informou se haverá cerimônia pública de homenagem.

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