Brasil

Tombamento de ônibus na BR-040 em Petrópolis deixa nove mortos

Veículo saiu de Belo Horizonte com destino a Copacabana e tombou por volta das 4h30 no km 91, na descida da serra; empresa abriu canal para familiares

Um ônibus de turismo tombou na madrugada deste domingo, 16, no km 91 da BR-040, em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, e deixou nove mortos. O acidente ocorreu por volta das 4h30, no trecho de descida no sentido Rio de Janeiro, e o Corpo de Bombeiros foi acionado às 4h40.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o veículo pertence à empresa Estrela Guia Turismo e transportava 47 passageiros. O ônibus havia saído de Belo Horizonte, em Minas Gerais, com destino a Copacabana, na zona sul da capital fluminense.

Entre as vítimas fatais há crianças, conforme os balanços divulgados ao longo do dia. O número de feridos ainda varia entre as fontes, e os atendimentos foram distribuídos entre unidades hospitalares da região, entre elas o Hospital Adão Pereira Nunes e o Hospital Municipal Santa Tereza.

As equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro que atuaram no resgate vieram do quartel de Campo Elíseos, com apoio de unidades de Parada de Lucas, Petrópolis e Itaipava. A causa do tombamento será apurada pela 105ª Delegacia de Polícia de Petrópolis.

O trecho e o histórico da serra

O km 91 fica na descida da serra de Petrópolis, um dos trechos mais exigentes da BR-040. A rodovia liga Brasília ao Rio de Janeiro e concentra, na região serrana, uma sequência de curvas acentuadas, túneis e declives longos, condição que sobrecarrega o sistema de freios de veículos pesados.

A Elovias, concessionária responsável pelo trecho, interditou a pista várias vezes desde o acidente para o trabalho de resgate e remoção. Por volta das 9h40, o sentido Rio de Janeiro já havia sido liberado.

Acidentes com ônibus de turismo em descida de serra costumam envolver a combinação entre peso do veículo carregado, uso prolongado do freio de serviço e velocidade incompatível com o traçado. A perícia é o que define, caso a caso, se houve falha mecânica, erro de condução ou problema na via, e o laudo leva semanas.

Resposta da empresa

A Estrela Guia Turismo abriu um canal de atendimento para familiares das vítimas, segundo divulgado pelo jornal Estado de Minas. A empresa não havia apresentado, até a publicação desta reportagem, versão própria sobre as circunstâncias do tombamento nem informação sobre a manutenção do veículo.

A apuração policial deve incluir a checagem do prontuário do ônibus, das condições do tacógrafo e da jornada do motorista, itens que a legislação de transporte rodoviário de passageiros exige que a empresa mantenha registrados. Também entra no exame a regularidade do fretamento e a autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres para o serviço prestado.

Há ainda a questão do socorro. O acidente ocorreu de madrugada, em ponto de serra com acostamento estreito, e o resgate exigiu mobilizar quartéis de quatro localidades diferentes, incluindo unidades vindas do Rio de Janeiro. A distância entre o local e os hospitais de referência é um fator que pesa no atendimento a politraumatizados, cujo prognóstico depende das primeiras horas.

O horário também importa para a apuração. Viagens de fretamento que saem de Belo Horizonte à noite chegam ao litoral fluminense no início da manhã, e a descida da serra costuma cair na faixa de menor alerta do condutor. O tacógrafo é o instrumento que mostra se houve pausa obrigatória e qual a velocidade nos minutos anteriores ao tombamento.

O saldo de nove mortes coloca o caso entre os acidentes rodoviários mais graves do ano no país. O Resenhando acompanha ocorrências desse tipo, como o acidente com sete mortos na BR-251, em Salinas. As identificações das vítimas e o balanço final de feridos dependem da conclusão dos trabalhos periciais.

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