Brasil

Fies convoca lista de espera com 75,5 mil vagas até 24 de setembro

Chamadas começaram em 7 de agosto e seguem em janelas sucessivas; consulta é feita no Portal Único de Acesso

O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) começou a convocar em 7 de agosto os estudantes inscritos na lista de espera do segundo semestre de 2026, e as chamadas seguem até 24 de setembro. São 75,5 mil vagas para o semestre, dentro de um total de mais de 112 mil oferecidas no programa neste ano.

A convocação não acontece em data única. O Ministério da Educação chama candidatos em janelas sucessivas até o fim do prazo, à medida que vagas ofertadas nas chamadas anteriores deixam de ser ocupadas. Quem está na lista precisa acompanhar o Portal Único de Acesso, em acessounico.mec.gov.br/fies, porque a convocação vale por prazo curto e não é reaberta depois de vencida.

Os pré-selecionados da chamada regular haviam sido divulgados em 30 de julho. A lista de espera é a etapa seguinte, e reúne quem se inscreveu no processo e não foi chamado na primeira rodada.

Quem pode ser convocado

Os requisitos estão no Edital nº 52, de 30 de junho de 2026, publicado pelo Ministério da Educação. Para concorrer, o candidato precisa ter participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir da edição de 2010, com média mínima de 450 pontos nas provas objetivas e nota diferente de zero na redação.

Há também o corte de renda: a renda familiar mensal bruta por pessoa deve ser de até três salários mínimos. Quem fez o Enem na condição de treineiro, sem ter concluído o ensino médio no ano da prova, não pode usar aquela nota para o financiamento.

A checagem é documental. Depois da convocação, o estudante complementa a inscrição no portal e a instituição de ensino valida as informações declaradas. Divergência entre o que foi informado e o que os documentos mostram derruba a seleção, e a vaga volta para a lista.

O que o programa financia

O Fies cobre mensalidades de cursos de graduação em instituições privadas cadastradas e avaliadas positivamente pelo MEC. O estudante começa a pagar depois de formado, em condições definidas pelo contrato, e o saldo é corrigido conforme as regras vigentes no momento da contratação.

O programa passou por sucessivos redesenhos desde 2017, quando o modelo anterior acumulou inadimplência elevada e obrigou o governo a reestruturar a operação. O desenho atual divide os candidatos por faixa de renda e escalona o encargo, com o objetivo de reduzir o risco de calote na carteira.

A distinção entre lista de espera e chamada regular importa para quem acompanha o processo. Na chamada regular, o sistema classifica os inscritos pela nota do Enem dentro de cada curso e turno até esgotar as vagas ofertadas pela instituição. A lista de espera recolhe o excedente e é acionada quando um pré-selecionado não completa a inscrição, não entrega documento ou desiste. Por isso a movimentação é contínua e imprevisível: depende do comportamento de quem foi chamado antes.

A oferta de mais de 112 mil vagas neste ano é o número que o governo divulga como capacidade do programa. Quantas serão efetivamente contratadas depende de quantos convocados completam a inscrição, apresentam os documentos e assinam o contrato dentro do prazo, etapa em que a evasão costuma ser relevante em processos desse tipo.

Educação e financiamento estudantil aparecem com frequência no debate sobre resultado do ensino no país. O Sistema de Avaliação da Educação Básica mostrou, na edição mais recente, desempenho em matemática no ensino médio abaixo do nível pré-pandemia, indicador que precede a entrada do estudante na graduação.

As informações sobre o cronograma de convocação constam do portal do programa e do edital. O MEC não divulgou o número de vagas preenchidas até agora nesta etapa.

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