Fuga de abordagem da PRF causou acidente com sete mortos na BR-251
Carro carregado com 137 quilos de maconha desobedeceu ordem de parada, tentou ultrapassar quatro veiculos em curva e bateu de frente com outro automovel em Salinas, no norte de Minas
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou que o acidente com sete mortos registrado na BR-251, em Salinas, no norte de Minas Gerais, foi provocado por um carro que fugia de uma abordagem policial na tarde deste sábado (8). O veículo levava 137 quilos de maconha e desobedeceu à ordem de parada no km 314 da rodovia.
Segundo o relato da corporação, o motorista de um Fiat Cronos com placas do Ceará acelerou pela pista depois de ignorar o comando dos agentes. Cerca de dez quilômetros adiante, no km 304, tentou ultrapassar quatro veículos em uma curva, invadiu a pista contrária e bateu de frente com um GM Astra que seguia no sentido oposto.
Cinco pessoas morreram ainda no local. Outras duas foram socorridas e levadas a um hospital de Salinas, onde não resistiram aos ferimentos. Uma oitava vítima permanece internada em estado grave. As idades e a identificação completa das vítimas vinham sendo divulgadas ao longo do domingo (9) pelas autoridades mineiras, à medida que os corpos passavam pela perícia.
A droga apreendida estava dividida em blocos no interior do Fiat Cronos e foi encontrada pelos policiais depois da colisão. A quantidade equivale a 137 quilos de maconha, segundo o balanço divulgado pela PRF e reproduzido pelo jornal Estado de Minas e pela Rádio Itatiaia.
Como a perseguição terminou em colisão frontal
A BR-251 corta o norte de Minas e liga a região ao sul da Bahia. O trecho entre os quilômetros 304 e 314, onde tudo aconteceu, é de pista simples, com mão dupla e sem separação física entre os fluxos. É nesse desenho de rodovia que a ultrapassagem em curva se torna a manobra mais letal do trânsito brasileiro.
A dinâmica descrita pela PRF segue um padrão conhecido nas apreensões da rota. O carregamento sai do Centro-Oeste ou da fronteira, atravessa o interior por rodovias federais de pista simples e evita os grandes eixos, onde a fiscalização é mais densa. Quando a abordagem acontece, a decisão de fugir transfere o risco para quem está na pista e não tem relação nenhuma com o transporte da carga.
O caso reacende a discussão sobre o protocolo de perseguição em rodovia. As normas operacionais das polícias determinam avaliação permanente do risco a terceiros e autorizam a interrupção do acompanhamento quando o perigo se torna maior que o benefício da captura. As informações divulgadas pela PRF sobre a ocorrência não esclarecem se houve acompanhamento tático do Fiat Cronos entre os dois pontos ou se o veículo seguiu sozinho depois de furar o bloqueio.
O que dizem as autoridades
A Polícia Rodoviária Federal informou que instaurou procedimento para apurar as circunstâncias da ocorrência e que a investigação sobre o transporte da droga foi encaminhada à Polícia Federal. O órgão não detalhou o efetivo envolvido na abordagem inicial.
A Polícia Civil de Minas Gerais ficou responsável pelo levantamento no local do acidente e pela identificação das vítimas. Até a publicação desta reportagem, a corporação não havia divulgado laudo pericial. O condutor do Fiat Cronos está entre os mortos, e não há defesa constituída no caso.
Pelo Código de Trânsito Brasileiro, a ultrapassagem em local proibido é infração gravíssima, com multa e suspensão do direito de dirigir. A responsabilização criminal, no caso, esbarra na morte do condutor: o processo por homicídio culposo na direção de veículo automotor se extingue com o falecimento do investigado, e a apuração passa a mirar quem contratou e quem despachou a carga.
O número de sete mortes coloca o acidente entre os mais graves registrados em rodovia federal mineira em 2026. A BR-251 concentra ocorrências desse tipo justamente pela combinação de pista simples, tráfego pesado de caminhões e trechos longos sem terceira faixa.