Ex-jogador Jadson é detido no Paraná sob acusação de violência doméstica
Companheira relatou à Polícia Militar que foi segurada pelo pescoço durante discussão em Cambé; ele nega agressão física
O ex-jogador Jadson, de 42 anos, que atuou por Corinthians, Athletico Paranaense e seleção brasileira, foi detido no sábado (8/8) em Cambé, no norte do Paraná, sob acusação de violência doméstica. Ele foi autuado em flagrante por lesão corporal e injúria contra mulher.
Segundo o registro policial, a companheira do ex-atleta procurou a Polícia Militar e relatou que, durante uma discussão no banheiro da residência, foi segurada pelo pescoço com as duas mãos. A mulher apresentava marcas na região, observadas após o episódio.
O que dizem as partes
No depoimento, Jadson confirmou que houve desentendimento verbal intenso com a companheira e negou ter cometido qualquer tipo de agressão física. Ele descreveu o episódio como uma briga de marido e mulher.
A mulher relatou ainda que outros episódios de agressão teriam ocorrido antes, mas afirmou que nunca havia formalizado denúncia sobre essas situações, de acordo com o que consta no procedimento.
A vítima pediu medidas protetivas ao fim do procedimento, e o pedido foi concedido.
Ao término do registro, o ex-jogador foi encaminhado à cadeia pública da cidade. A equipe jurídica do atleta não havia se manifestado sobre o caso até a publicação desta reportagem, conforme informado pelo Correio Braziliense.
Como funciona o enquadramento
O caso foi registrado em Cambé, cidade da região metropolitana de Londrina, no norte do Paraná. A lesão corporal em contexto doméstico está prevista no artigo 129, parágrafo 9º, do Código Penal, com pena de três meses a três anos de detenção, e é apurada sob o rito da Lei Maria da Penha. A injúria contra a mulher por razões da condição do sexo feminino tem pena agravada desde a Lei 14.188/2021, que também criou o crime de violência psicológica contra a mulher.
As medidas protetivas de urgência independem da abertura de ação penal e podem incluir o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação e de contato por qualquer meio e a suspensão da posse de arma de fogo. O descumprimento é crime autônomo, com pena de detenção de três meses a dois anos.
Jadson foi revelado pelo Athletico Paranaense, foi campeão da Copa da Uefa pelo Shakhtar Donetsk e teve duas passagens pelo Corinthians, clube pelo qual conquistou títulos nacionais. Encerrou a carreira profissional nos últimos anos e vive no interior do Paraná.
O que a lei prevê a partir daqui
Autuado em flagrante, o investigado é apresentado à audiência de custódia em até 24 horas, quando o juiz decide sobre a manutenção da prisão, a concessão de liberdade provisória e a fixação das medidas protetivas requeridas pela vítima. Nos casos de violência doméstica, a Lei Maria da Penha veda a substituição da pena por prestação pecuniária, ou seja, a chamada cesta básica, e proíbe a aplicação dos institutos despenalizadores dos juizados especiais.
O relato de agressões anteriores sem registro formal descreve um padrão recorrente nas estatísticas de violência doméstica no país: a denúncia costuma chegar à polícia depois de repetições, e não no primeiro episódio. É essa reincidência não registrada que os canais de atendimento tentam alcançar, entre eles o 180, Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas e recebe relatos inclusive de terceiros.
A distância entre o relato da vítima e a versão do investigado é justamente o que o inquérito precisa resolver, com exame de corpo de delito, oitiva de testemunhas e eventual perícia. As marcas descritas no registro policial e observadas na ocorrência integram esse conjunto probatório e serão avaliadas pela autoridade policial e, depois, pelo Ministério Público, a quem cabe decidir se oferece denúncia.
Jadson é tratado como suspeito. Não há denúncia oferecida pelo Ministério Público nem condenação no caso, e a autuação em flagrante não antecipa julgamento de mérito.