Eduardo Bolsonaro mostra compra de três armas nos Estados Unidos
Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-deputado compara o processo de aquisição no Texas com as exigências brasileiras
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou nas redes sociais um vídeo em que mostra a compra de três armas de fogo nos Estados Unidos. A gravação foi divulgada nesta segunda-feira (10) e nela ele afirma ter adquirido uma espingarda calibre 12, uma pistola Glock 9 mm e um fuzil semiautomático AR-15.
"Acabei de comprar três armas, o que no Brasil seria impossível", diz no vídeo. Ele descreve o procedimento local: "O normal aqui é você chegar na loja, pagar e então eles checam seus antecedentes e sai com a arma no mesmo dia". Em outro trecho, resume: "aqui é assim, isso é liberdade".
O ex-parlamentar compara os índices de criminalidade do Texas com os brasileiros e sustenta que o país dificulta a compra de arma para defesa pessoal. No Brasil, a aquisição por cidadão comum exige comprovação de efetiva necessidade, laudo de aptidão psicológica, teste de capacidade técnica, certidões negativas criminais e registro na Polícia Federal, além do pagamento de taxas e da incidência de tributos que elevam o preço final.
O que diz a regra americana
Nos Estados Unidos, a compra em loja licenciada passa pela checagem instantânea de antecedentes no sistema federal NICS, operado pelo FBI. Aprovada a consulta, a entrega pode ser feita no mesmo dia. Alguns estados adotam prazo de espera e exigências adicionais, mas o Texas, citado por Eduardo Bolsonaro, não impõe período obrigatório entre a compra e a retirada para quem passa na checagem.
A diferença de desenho legal é o ponto explorado na publicação. O modelo americano trata o acesso como regra, com restrição por antecedente criminal e por decisão judicial. O modelo brasileiro parte da proibição e admite exceção mediante autorização administrativa, com renovação periódica do registro.
O custo também separa os dois mercados. No Brasil, além do valor da arma, o comprador arca com taxas de registro, com o custo do laudo psicológico e do teste de capacidade técnica e com a carga tributária que incide sobre armamento e munição. O registro tem prazo de validade e precisa ser renovado, o que acrescenta despesa recorrente ao proprietário.
A situação de Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro perdeu o mandato de deputado federal por São Paulo em 18 de dezembro de 2025, quando a Mesa Diretora da Câmara declarou a perda por excesso de faltas ao plenário. Ele acumulou 59 ausências enquanto morava nos Estados Unidos, para onde foi em 2025 com o objetivo de atuar junto ao governo americano em defesa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão da Mesa não implicou suspensão de direitos políticos, e ele segue elegível para disputar as eleições deste ano.
A publicação retoma a pauta armamentista que ele defendeu ao longo dos mandatos na Câmara. A flexibilização do acesso a armas foi uma das marcas do governo do pai e foi revertida por decreto na gestão seguinte, com redução dos limites de compra, aperto nas regras para colecionadores, atiradores e caçadores e transferência do cadastro para o Sistema Nacional de Armas.
Hoje, o cidadão brasileiro maior de 25 anos pode requerer o registro de arma para defesa no interior da residência ou do local de trabalho, desde que cumpra os requisitos e obtenha autorização da Polícia Federal. O porte, que permite circular armado fora desses locais, é concedido em hipóteses restritas e é distinto do registro de posse. Colecionadores, atiradores desportivos e caçadores seguem regras próprias, com acervo limitado e fiscalização do Exército.
A compra foi feita fora do território nacional. Pelas regras brasileiras, arma adquirida no exterior não entra no país sem autorização de importação e registro junto ao Exército e à Polícia Federal, procedimento distinto do que ele descreve no vídeo.