Agronegócio

Embrapa entrega a candidatos agenda com seis eixos para a agricultura

Documento pede ampliação e estabilidade do investimento em pesquisa e cita PIB do agro de R$ 3,2 trilhões e 48,5% das exportações brasileiras em 2025

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) entregou aos candidatos das eleições de outubro um documento com recomendações de política pública para a agricultura. A publicação, chamada "Agenda estratégica para agricultura do Brasil: contribuições de pesquisa e inovação", foi divulgada na quarta-feira, 19, e está disponível no site da estatal, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

O texto é dirigido a quem disputa cargos no Executivo e no Legislativo e defende a ampliação e a estabilidade dos investimentos em ciência, tecnologia, inovação e inclusão socioprodutiva. A Embrapa organiza as recomendações em seis dimensões estratégicas.

  • Segurança alimentar e nutricional.
  • Agricultura sustentável e resiliência climática.
  • Bioeconomia e desenvolvimento sustentável.
  • Transição energética e bioenergia.
  • Desenvolvimento territorial e inclusão produtiva rural.
  • Transformação digital no meio rural.

Na dimensão de bioeconomia, a proposta é transformar a biodiversidade e a biomassa brasileiras em novos produtos, serviços e oportunidades de negócio, com base em pesquisa aplicada. Os eixos de transição energética e de transformação digital tratam, respectivamente, do uso de bioenergia na matriz e da adoção de tecnologia da informação na produção rural, duas frentes que a estatal associa a ganho de produtividade.

Os números que a estatal usa como argumento

O documento apoia o pedido de mais recursos em indicadores de peso do setor na economia. O PIB do agronegócio somou R$ 3,2 trilhões em 2025, o equivalente a 25% de toda a riqueza produzida no país. O setor responde por 28,4 milhões de pessoas ocupadas.

No comércio exterior, as exportações do agro chegaram a US$ 169,2 bilhões em 2025, ou 48,5% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior no ano. A Embrapa cita ainda o retorno do investimento na própria instituição: R$ 27,12 para cada R$ 1 aplicado.

Para sustentar a dimensão climática, o documento recorre a uma projeção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), segundo a qual a inação diante das mudanças do clima custaria R$ 17,1 trilhões ao país até 2050. A informação foi divulgada pela Agência Brasil, em reportagem de Bruno de Freitas Moura.

O que o documento é e o que não é

A agenda não tem efeito normativo. Funciona como material de subsídio técnico para programas de governo e para o debate parlamentar, e chega em momento em que os planos de governo dos candidatos já estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral.

A Embrapa é uma empresa pública federal com sede em Brasília e uma rede de unidades de pesquisa distribuídas pelo país, organizadas por tema e por bioma. É essa estrutura que o documento pede para preservar e ampliar, ao tratar de estabilidade de investimento em ciência e tecnologia.

A defesa de mais orçamento para pesquisa envolve a própria instituição. O retorno de R$ 27,12 por real investido é cálculo da estatal sobre o impacto econômico das tecnologias que desenvolve, e é usado no documento como justificativa para a expansão do financiamento.

Os números de 2026 sustentam o peso do setor que o documento descreve. As exportações do agro bateram recorde em julho, com US$ 16,34 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura. No crédito, o primeiro mês da safra 2026/2027 somou R$ 28,2 bilhões contratados, conforme o sistema Sicor, do Banco Central.

A entrega ocorre em um ano em que o crédito e o endividamento rural dominaram a pauta do setor no Congresso. Entidades do agro cobraram a regulamentação da medida provisória que permite renegociar dívidas rurais, tema que a agenda da Embrapa não trata diretamente, por se concentrar em pesquisa e inovação.

O documento completo está publicado no portal da Embrapa, com acesso aberto. A divulgação foi feita de forma geral aos candidatos, sem recorte por partido ou por chapa.

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