Agronegócio

Conab eleva safra de cana a 705,2 milhões de toneladas, alta de 4,7%

Segundo levantamento aponta área colhida de 9,1 milhões de hectares e mais etanol no mix das usinas

A safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/2027 deve chegar a 705,2 milhões de toneladas, alta de 4,7% sobre o ciclo anterior, segundo o segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira, 20 de agosto.

O crescimento vem de duas frentes. A área colhida sobe 1,1% e chega a 9,1 milhões de hectares. A produtividade média nacional avança 3,6% e fica em 77.905 quilos por hectare. A região Sudeste responde por 451,4 milhões de toneladas, mais da metade do total previsto.

O número atual é menor do que a primeira estimativa da própria Conab para o ciclo, feita em abril, que apontava 709,1 milhões de toneladas. A revisão para baixo, de aproximadamente 3,9 milhões de toneladas, mantém a safra como a segunda maior já registrada pela série da companhia.

O que muda entre açúcar e etanol

A destinação da matéria-prima se move na direção do combustível. A Conab projeta 42,89 milhões de toneladas de açúcar, queda de 2,9% em relação a 2025/2026. O etanol produzido a partir da cana deve somar 29,98 bilhões de litros, alta de 9,7%.

A conta é decidida usina a usina, conforme a relação entre o preço do açúcar no mercado internacional e o do etanol no mercado interno. Quando o açúcar recua na bolsa e o etanol se sustenta na bomba, o mix migra para o combustível, que é o movimento captado por este levantamento.

Para o produtor, o efeito prático aparece no preço pago pela tonelada de cana, calculado pelo sistema Consecana, que remunera o teor de açúcar entregue e acompanha as cotações dos dois produtos finais. Para o consumidor, a maior oferta de etanol pressiona a relação com o preço da gasolina nos estados que concentram a produção.

Como o levantamento é feito

A Conab faz três levantamentos por safra de cana. Os dados combinam imagens de satélite, informações de unidades produtoras e trabalho de campo das superintendências estaduais da companhia, e servem de referência para políticas públicas, para o cálculo de estoques e para o planejamento do setor sucroenergético.

O ciclo 2026/2027 começou em abril nas regiões Centro-Sul e vai até março de 2027. Nas regiões Norte e Nordeste, o calendário é deslocado, com moagem concentrada no segundo semestre.

O avanço de 9,7% na produção de etanol de cana é o dado com efeito mais direto sobre o mercado interno de combustível, porque amplia a oferta do produto que concorre com a gasolina na bomba. O levantamento não projeta preço, apenas volume.

Os números da cana se somam ao desempenho recente dos grãos. Em levantamento anterior, a companhia elevou a safra de grãos para 360,8 milhões de toneladas.

A variação de 4,7% permite dimensionar o ponto de partida. Aplicada ao volume projetado de 705,2 milhões de toneladas, ela corresponde a um ciclo 2025/2026 de aproximadamente 673 milhões de toneladas moídas, patamar que já era elevado na série histórica da companhia.

O peso do Sudeste no total, de 451,4 milhões de toneladas, mantém a concentração da moagem no eixo que reúne as maiores usinas do país. O restante se distribui entre Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, com calendários de colheita distintos e produtividade média inferior à da região líder.

O resultado também alimenta a balança comercial. O açúcar é um dos principais itens da pauta de exportação do agronegócio brasileiro, e o volume disponível para embarque depende diretamente do mix definido pelas usinas, que neste levantamento aponta para menos açúcar e mais etanol.

O próximo levantamento da cana está previsto para dezembro, quando a moagem do Centro-Sul já estará em fase final e o quadro de produtividade por estado tende a ficar mais estável.

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