Agronegócio

Feijão carioca cai 11,68% em julho e preto fica estável, aponta a CNA

Oferta maior pressiona o carioca, mas os dois tipos seguem mais de 60% acima do preço de julho de 2025; safra paranaense de preto cai 41,4%

O preço médio do feijão carioca recuou 11,68% em julho na comparação com junho, enquanto o feijão-preto tipo 1 caiu apenas 0,64% no mesmo período. Os dados constam de levantamento divulgado nesta segunda-feira (3) pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que aponta comportamentos distintos entre as variedades ao longo do mês.

Na comparação anual, os dois tipos seguem muito acima do patamar de 2025. O carioca peneira 12 e nota 9 ou superior continua 61,4% acima do preço registrado em julho do ano passado. O preto tipo 1 acumula alta de 63,2% no mesmo intervalo.

A queda mensal do carioca é explicada pela oferta. A entrada contínua de novos lotes reduziu o poder de negociação dos vendedores, enquanto os compradores mantiveram postura cautelosa, segundo a confederação.

O que diz o levantamento

Os números por tipo de grão, conforme o boletim da CNA:

  • Carioca peneira 12, nota 9 ou superior: queda de 11,68% ante junho e alta de 61,4% ante julho de 2025
  • Carioca notas 8 e 8,5: queda de 9,74% ante junho e alta de 72,1% ante julho de 2025
  • Preto tipo 1: queda de 0,64% ante junho e alta de 63,2% ante julho de 2025

O carioca de qualidade intermediária, das notas 8 e 8,5, teve recuo menor no mês, mas é o que registra a maior valorização em doze meses, de 72,1%. Belo Horizonte foi exceção no comportamento mensal: a praça mineira registrou valorização na última semana de julho.

A estabilidade do preto tem origem diferente. A produção paranaense estimada para a safra 2025/26 é de aproximadamente 518 mil toneladas, volume 41,4% inferior ao da temporada anterior. O levantamento usa o dado do Paraná como referência de oferta, e uma queda dessa ordem retira pressão de baixa sobre as cotações.

O que isso significa para a mesa e para o produtor

Para o consumidor, o alívio de julho é parcial. Uma queda de 11,68% em um mês não compensa uma alta de 61,4% em doze meses, e o preço na gôndola costuma reagir com atraso ao movimento do mercado atacadista.

Para o produtor de carioca, o quadro é de margem em compressão: a colheita chega ao mercado num momento em que o comprador tem posição confortável e pode esperar. Já quem plantou preto, sobretudo no Paraná, enfrenta o contrário, uma safra menor com preço sustentado, o que reduz volume e mantém receita por saca.

A diferença de comportamento entre os dois grãos aparece nos próprios dados do boletim. O carioca teve queda expressiva no mês, movida pela entrada de lotes novos, enquanto o preto ficou praticamente estável, com safra menor no Paraná. São dois mercados que respondem a estímulos distintos, ainda que ambos partam de um patamar mais de 60% acima do de um ano atrás.

A CNA não projetou o comportamento das cotações para agosto no material divulgado, nem indicou até quando a entrada de novos lotes de carioca deve seguir pressionando o mercado. O levantamento é assinado pela assessoria de comunicação da confederação.

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