Soja sobe 11% em julho e atinge o maior patamar do ano, aponta o Cepea
Saca fechou a R$ 148,37 em Paranaguá; fertilizante mais caro pressiona o custo da safra 2026/27
O preço da soja subiu 11,07% em julho no mercado brasileiro e fechou o dia 24 a R$ 148,37 por saca de 60 quilos no Indicador Cepea/Esalq de Paranaguá (PR), segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP. É o maior patamar médio do produto em 2026.
No mercado interno paranaense, o indicador ESALQ/BM&FBovespa chegou a R$ 140,26 por saca no mesmo dia, com alta de 10,07% no mês. Os dois movimentos vieram no período de entressafra, quando a oferta do produtor já está mais restrita.
O que empurrou o preço para cima
O Cepea aponta que a valorização dos prêmios de exportação, somada ao cenário geopolítico e ao aquecimento da procura pela oleaginosa nacional, reforçou a alta no mercado spot. A demanda externa pela soja brasileira sustentou as cotações no mercado doméstico.
O centro de estudos registrou ainda um comportamento típico de mercado apertado: compradores anteciparam negócios para reduzir risco, enquanto vendedores seguraram oferta à espera de condições melhores.
El Niño entra na conta da safra 2026/27
Parte da antecipação de compras se explica pela preocupação com um El Niño mais intenso na safra 2026/27. O fenômeno altera o regime de chuvas no Centro-Oeste e no Sul e é o principal fator de incerteza no planejamento da próxima temporada.
Do lado do custo, os fertilizantes ficaram mais caros no primeiro semestre e elevaram a estimativa de custo de produção da safra 2026/27. O produtor entra na próxima janela de plantio com preço melhor na saca, mas com insumo mais caro na entrada.
Os números de julho
- Indicador Cepea/Esalq Paranaguá: R$ 148,37 por saca de 60 kg em 24 de julho.
- Alta acumulada de 11,07% no mês em Paranaguá.
- Indicador do mercado interno (PR): R$ 140,26 por saca, com alta mensal de 10,07%.
- Fertilizantes mais caros no primeiro semestre pressionam o custo da safra 2026/27.
O Indicador Cepea/Esalq é a referência de preço mais usada em contratos de comercialização de soja no país e é apurado com base em negócios efetivamente fechados no mercado físico.