Segurança

PF sequestra R$ 75 milhões de grupo que abastecia facções em MS

Operação Nueva Generacion cumpriu 15 mandados em três estados a partir de investigação iniciada em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai

A Polícia Federal sequestrou R$ 75 milhões em bens e valores de uma organização criminosa que abastecia atividades ilícitas em três estados a partir de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai. A Operação Nueva Generacion foi deflagrada na quinta-feira, 3.

Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás. A medida de sequestro de bens alcançou 17 pessoas físicas e jurídicas. Os investigados respondem por contrabando e organização criminosa.

A apuração começou com a apreensão de armas de fogo em um condomínio de Ponta Porã. A partir daí, os investigadores mapearam os fluxos ilícitos que partiam da região de fronteira entre Brasil e Paraguai com destino a São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Ponta Porã é um dos pontos mais sensíveis da fronteira brasileira. A cidade é conurbada com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, sem barreira física entre as duas: a divisa é uma avenida. Essa geografia faz do município uma porta de entrada tradicional para armas, drogas e mercadoria contrabandeada, e explica por que o ponto de partida da investigação foi uma apreensão local de armas.

O que a operação alcançou

O número que define o caso é o do sequestro: R$ 75 milhões em bens e valores retirados da disponibilidade dos investigados. A medida é cautelar e recai sobre o patrimônio antes de qualquer condenação, com o objetivo de impedir a dissipação dos ativos até o fim do processo.

O alcance em três estados indica que a investigação não parou na fronteira. O grupo era voltado ao abastecimento de atividades ilícitas em diferentes unidades da federação, e o desenho apurado pela PF liga a origem fronteiriça a destinos no Sudeste e no Centro-Oeste.

O sequestro de bens é medida assecuratória prevista no Código de Processo Penal. Ele recai sobre patrimônio de origem suspeita e não transfere a propriedade: os bens ficam indisponíveis enquanto o processo corre. A destinação definitiva, com perda em favor da União, depende de decisão judicial ao fim da ação penal.

O patrimônio como alvo

O foco no dinheiro marca uma diferença em relação ao modelo antigo de repressão, centrado na apreensão de carga e na prisão de transportadores. Bloquear R$ 75 milhões atinge a estrutura financeira que sustenta a operação logística, e não apenas o elo final da cadeia.

Nesse desenho, o crime de contrabando aparece ao lado do de organização criminosa. A imputação conjunta permite alcançar quem financia e quem organiza, e não só quem é flagrado com a mercadoria. O sequestro de bens de pessoas jurídicas, previsto entre os 17 alvos, sugere que empresas foram usadas na movimentação dos recursos.

Os 15 mandados de busca foram cumpridos em três estados no mesmo dia, o que exige coordenação entre superintendências. A concentração da origem em Mato Grosso do Sul e a dispersão dos destinos em Minas Gerais e Goiás desenham uma rota que atravessa o Centro-Oeste em direção ao Sudeste.

A Polícia Federal não divulgou os nomes dos investigados nem informou se houve prisões na operação. Também não há, até a publicação desta reportagem, manifestação de defesas constituídas. As informações sobre a operação constam da nota oficial da PF em Mato Grosso do Sul.

A fronteira com o Paraguai tem sido alvo recorrente de ações federais. Em agosto, a PF deflagrou outra operação em Campo Grande, em investigação de natureza distinta, sobre recursos de previdência municipal.

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