Grupo investigado pela PCDF discutiu explodir o Palácio do Planalto
Operação Rede Interrompida foi deflagrada em 4 de agosto contra oito suspeitos em cinco estados; investigados também miravam o local do debate do segundo turno
Um grupo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal discutiu planos para invadir e explodir o Palácio do Planalto e o prédio onde ocorreria um debate do segundo turno das eleições de 2026. A informação consta da Operação Rede Interrompida, deflagrada em 4 de agosto contra oito suspeitos em cinco estados, e foi divulgada nesta segunda-feira (10) pela Gazeta do Povo.
Entre os materiais apreendidos estavam mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), além da planta baixa do Palácio do Planalto. Segundo a investigação, os participantes compartilharam a planta e discutiram formas de entrar e sair do prédio.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, descreveu o conteúdo das conversas. "Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios", afirmou.
O que a investigação encontrou
As apurações indicam que o grupo compartilhava instruções para a fabricação de explosivos e coquetéis molotov. De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, os investigados calcularam a quantidade de material e o custo necessários para os ataques.
O delegado Maurílio Coelho Lima detalhou um dos pontos do inquérito. "Chegaram, inclusive, a compartilhar a planta baixa do Palácio do Planalto, para mostrar lá", disse. Sobre a possibilidade de execução dos planos, a avaliação registrada foi direta: "A gente acredita que eles levariam à frente".
Um relatório do Ciberlab classificou o material como de elevado grau de periculosidade e apontou planejamento de ações violentas com explosivos, disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.
O alvo eleitoral
Além do Palácio do Planalto, os investigados trataram do prédio onde seria realizado um debate do segundo turno das eleições deste ano. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e o segundo, onde houver, para 25 de outubro. A polícia não divulgou qual emissora ou qual endereço estava no material apreendido.
A operação foi cumprida em cinco estados. A Polícia Civil do Distrito Federal não divulgou a identidade dos oito investigados nem a situação processual de cada um. Não há informação pública sobre defesa constituída para os suspeitos até a publicação desta reportagem.
O planejamento de atentado contra prédio público pode enquadrar os investigados em crimes previstos na Lei Antiterrorismo e no Código Penal, entre eles associação criminosa e explosão. A definição da tipificação depende da conclusão do inquérito e do oferecimento de denúncia pelo Ministério Público.
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