Segurança

Exército encerra simulação de ataque cibernético com 1.300 participantes e 14 países

Guardião Cibernético 8.0 terminou a nove dias do primeiro turno; nota oficial não cita eleição

O Exército Brasileiro encerrou nesta quinta-feira, 25, em Brasília, a 8ª edição do Exercício Guardião Cibernético, treinamento que simulou ataques digitais a serviços essenciais e reuniu cerca de 1.300 participantes, 300 organizações e representantes de 14 países.

O exercício é coordenado pelo Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber) e fica sob responsabilidade do Ministério da Defesa. Teve sede na Escola Superior de Defesa (ESD) e começou na segunda-feira, 21. "O exercício cibernético começou pequeno. Ao longo do tempo, fomos percebendo como esse assunto é relevante e impactante, e ele foi crescendo a cada ano", afirmou o Comandante de Defesa Cibernética, General de Divisão Jacy Barbosa Júnior, em nota do Ministério da Defesa.

A edição deste ano teve estrutura descentralizada, com atividades simultâneas em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Recife, Manaus e Belém. Segundo o general, o primeiro centro fora de Brasília foi aberto em São Paulo em 2022, e o de Belém surgiu no ano passado, em função da COP 30.

Tabela com os números do Guardião Cibernético 8.0: edição, participantes, organizações, países, sede, cidades simultâneas e setores treinados
Os números do exercício, segundo a nota do Ministério da Defesa de 21 de setembro.Arte: Resenhando

O que o exercício simulou

O treinamento reproduziu, por simulações construtivas e virtuais, cenários de ameaças digitais capazes de derrubar serviços essenciais. Participaram integrantes da Marinha do Brasil e da Força Aérea Brasileira, além de órgãos de governo, empresas e universidades.

Os setores no roteiro foram energia, transporte, recursos hídricos, comunicações, biossegurança e economia. O objetivo declarado pelo Ministério da Defesa é testar planos de contingência e procedimentos diante de incidentes coordenados contra infraestrutura crítica.

Entre os presentes na abertura estavam o diretor-geral do Censipam, Richard Fernandez Nunes, o comandante da ESD, Major-Brigadeiro Médico Laerte Lobato de Moraes, e o vice-chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, General de Divisão Ivan de Sousa Corrêa Filho.

O analista de crimes cibernéticos do Ministério da Justiça Cleberson Vieira, que já participou de outras edições, disse esperar "desafios, situações em que possamos sair da zona de conforto". A programação incluiu palestras abertas ao público sobre segurança cibernética.

O calendário e o debate sobre interferência externa

O exercício terminou a nove dias do primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro, e a coincidência de datas foi o ângulo adotado por parte da cobertura. A Agência Brasil publicou que a simulação ocorreu "em meio aos alertas" sobre possível interferência estrangeira no pleito.

A nota oficial do Ministério da Defesa, porém, não cita eleição, processo eleitoral ou qualquer país específico como origem de ameaça. O Guardião Cibernético está na oitava edição e o próprio general aponta crescimento ano a ano, com centros abertos em São Paulo em 2022 e em Belém no ano passado. O calendário deste ano fica dentro dessa série, e não fora dela.

O pano de fundo é um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborado em agosto, divulgado pela Folha de S.Paulo e confirmado pela TV Brasil, que aponta risco de influência dos Estados Unidos na eleição brasileira. O documento classifica a possibilidade de interferência externa em nível de criticidade e associa o quadro à prioridade do governo de Donald Trump na América Latina. A Abin não divulgou o relatório na íntegra.

As Forças Armadas têm papel definido e separado disso no pleito: prestarão apoio logístico à Justiça Eleitoral em 42 municípios, conforme o Ministério da Defesa já anunciou. Segurança da urna e da totalização é atribuição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A nota do Ministério da Defesa não informa o custo do exercício nem previsão para a 9ª edição. O ministério também não detalhou quais dos 14 países enviaram representantes.

Para o contexto do alerta da inteligência brasileira, veja o que diz o relatório da Abin sobre risco de interferência dos EUA na eleição. E, para o funcionamento da votação, confira o horário unificado de votação em 4 de outubro.

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