Segurança

FAB abre fogo e força pouso de avião suspeito vindo da Bolívia

Aeronave sem plano de voo e sem matrícula foi interceptada por dois A-29 Super Tucano e abandonada após pouso forçado em Mato Grosso do Sul

A Força Aérea Brasileira (FAB) interceptou e obrigou ao pouso um avião de pequeno porte vindo da Bolívia na sexta-feira, 31 de julho. Depois de sucessivas tentativas de contato sem resposta, dois caças A-29 Super Tucano aplicaram o Tiro de Detenção, disparo destinado a danificar a aeronave e impedir a continuidade do voo.

A aeronave foi classificada como suspeita porque reunia três condições: voava sem plano de voo apresentado, não havia estabelecido contato com os órgãos de controle de tráfego aéreo e não tinha matrícula identificada.

"Devido à falta de colaboração da aeronave interceptada, que descumpriu recorrentemente as ordens da Defesa Aeroespacial, foi realizada a medida de Tiro de Detenção (TDE)", informou a FAB em nota.

O avião pousou e foi abandonado

O pouso forçado ocorreu a cerca de 200 quilômetros ao norte de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Quando a polícia chegou ao local de helicóptero, a aeronave já estava abandonada. Não houve prisão no momento da chegada das equipes.

O Tiro de Detenção é a última etapa das Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo, sequência prevista na legislação brasileira. Segundo a FAB, a medida só é aplicada depois que o piloto descumpre de forma recorrente as ordens da Defesa Aeroespacial, o que ocorreu neste caso após uma série de tentativas de comunicação.

A rota que a fronteira oeste concentra

  • Aeronave: avião de pequeno porte, sem matrícula visível
  • Origem do voo: Bolívia
  • Interceptação: dois caças A-29 Super Tucano
  • Medida aplicada: Tiro de Detenção, última etapa do policiamento aéreo
  • Local do pouso: cerca de 200 km ao norte de Campo Grande (MS)
  • Situação: aeronave encontrada abandonada

Mato Grosso do Sul faz fronteira seca com Bolívia e Paraguai e concentra parte relevante do fluxo aéreo clandestino que abastece o mercado interno de cocaína. A distância entre pistas improvisadas dos dois lados da linha é curta o suficiente para permitir voos rasantes de poucas horas, o que reduz a janela de detecção do radar.

A Bolívia é um dos três maiores produtores mundiais de folha de coca, ao lado de Colômbia e Peru. O deslocamento por via aérea encurta o trajeto até os centros de distribuição do Centro-Oeste e do Sudeste e dispensa os postos de fiscalização rodoviária, que respondem pela maior parte das apreensões terrestres no país.

O que a legislação autoriza

O disparo contra aeronave civil no Brasil é regulado pelo Código Brasileiro de Aeronáutica e pelo decreto que trata das Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo, conhecido como Lei do Abate. O texto autoriza o uso progressivo da força contra aeronave classificada como hostil, com autorização da autoridade competente e depois de cumpridas as etapas anteriores.

O Tiro de Detenção não visa derrubar a aeronave. O objetivo é danificá-la a ponto de obrigar o pouso, preservando a possibilidade de apreensão do avião e da carga. A destruição em voo é etapa distinta e depende de autorização específica.

A operação mobilizou caças, apoio de radar e deslocamento policial por helicóptero até uma área remota. O resultado registrado foi uma aeronave vazia no solo, sem ocupantes localizados.

A FAB não informou se havia carga a bordo nem o que foi encontrado na aeronave após a perícia. Procurada, a corporação não detalhou o andamento da investigação até a publicação. A apuração sobre a origem e a propriedade do avião cabe à Polícia Federal.

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