Segurança

Curso falso de sargento da reserva servia para comprar armas no Rio

Desarme e Exército prenderam suspeitos de falsificar identidade militar e CRAF para comprar cinco armas, entre elas um fuzil, no Rio.

Neste texto3 tópicos
  1. Como o esquema funcionava
  2. O que foi comprado e o que foi barrado
  3. O que a lei prevê

A Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) da Polícia Civil do Rio de Janeiro, com apoio do Exército, desarticulou um esquema que simulava cursos de formação de sargentos da reserva para falsificar documentos militares e comprar armas de fogo. Segundo a Agência Brasil, que divulgou o caso em 21 de outubro de 2026, dois homens foram presos na ação e um terceiro segue foragido. Cinco armas e dezenas de documentos falsos foram apreendidos.

O Exército Brasileiro confirmou que as autorizações de compra e os documentos usados nas lojas eram falsos. A reportagem da Agência Brasil é a base deste texto. A Polícia Civil não divulgou os nomes dos suspeitos.

Como o esquema funcionava

De acordo com a investigação, o grupo organizava cursos preparatórios com aulas presenciais e provas, para dar aparência de legalidade à formação dos participantes. Ao final, entregava carteiras de identidade militar e autorizações de compra de armamento com assinaturas falsificadas de oficiais do Exército.

Os criminosos também falsificavam o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), documento exigido para retirar a arma da loja. Com o pacote completo, o comprador se apresentava em estabelecimento credenciado e levava o armamento como se tivesse direito a ele.

O que foi comprado e o que foi barrado

A polícia identificou cinco armas compradas, avaliadas em cerca de R$ 50 mil: quatro pistolas calibre .40, uma pistola 9 mm e um fuzil calibre 5,56 mm. Parte do material ainda estava nas lojas quando a fraude foi descoberta, e a entrega aos compradores foi impedida. A Justiça do Rio determinou que as cinco armas apreendidas possam ser destinadas ao uso da própria Polícia Civil.

O número de presos varia entre os relatos. A Agência Brasil fala em dois presos na operação e um foragido. O inquérito começou há cerca de dois meses, com a prisão em flagrante de um homem que comprou uma pistola com documentação falsa, o que soma três pessoas já detidas desde o início da apuração. Outros veículos trouxeram contagens diferentes de presos e de armas, e a Polícia Civil ainda não publicou balanço próprio que feche a conta.

O que a lei prevê

Falsificar documento público é crime do artigo 297 do Código Penal, com pena de reclusão de dois a seis anos e multa. Usar o documento falso, previsto no artigo 304, recebe a mesma pena. A compra de arma sem a autorização exigida esbarra ainda no Estatuto do Desarmamento, a Lei 10.826, de 2003.

O caso expõe um ponto de controle do mercado legal: a documentação falsa chegou a passar pela conferência das lojas credenciadas. As investigações continuam para identificar quem organizava os cursos, quem produzia os documentos e se há outros envolvidos. O Resenhando acompanha o inquérito e atualiza este texto se a Polícia Civil divulgar balanço oficial ou novas prisões.

Sobre armas e política criminal, o portal publicou também a alta de 10,3% nas apreensões de armas no Rio e a proibição do transporte de arma por CAC durante a eleição.