Renan Santos usa camiseta com foto de Lulinha em forum empresarial
Candidato do Missao ao Planalto discursou no ABDIB Forum Eleicoes 2026 com peca estampada com a imagem do filho mais velho do presidente
O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, usou uma camiseta estampada com a foto de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante o ABDIB Fórum Eleições 2026, em São Paulo, nesta terça-feira, 25 de agosto. A peça trazia a frase "cadê o dinheiro dos velhinhos?".
O fórum é promovido pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base e reuniu presidenciáveis para apresentar propostas ao setor. Renan Santos discursou no mesmo evento em que outros candidatos expuseram planos de investimento e concessões.
A referência da estampa é o inquérito da Polícia Federal que apura suposto tráfico de influência envolvendo o filho do presidente. A investigação foi noticiada ao longo de agosto por veículos que tiveram acesso a trechos do procedimento.
O que apura o inquérito citado na estampa
A apuração da Polícia Federal trata de suspeita de lobby junto a órgãos federais. Em 21 de agosto, o Estado de S. Paulo publicou o teor de mensagens obtidas pelos investigadores, entre elas a cobrança de um quadro avaliado em 100 mil euros. As defesas dos citados passaram a responder nominalmente desde então.
Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Fábio Luís Lula da Silva, afirmou ao jornal O Tempo, em 20 de agosto, que o caso é sustentado por "vazamentos criminosos por setores da Polícia Federal instrumentalizados por interesses políticos e eleitorais". Não há denúncia formalizada pela Procuradoria-Geral da República contra o filho do presidente até esta publicação.
Outros citados no material divulgado pela imprensa também se manifestaram por meio de seus advogados. A assessoria de Marco Aurélio Santana Ribeiro respondeu às menções ao seu nome, e o criminalista Roberto Podval passou a falar em nome de Roberta Luchsinger. As defesas contestam a interpretação dada às mensagens e a forma como o conteúdo do inquérito chegou aos jornais.
O inquérito corre sob sigilo, e o que veio a público é o material reproduzido pelos veículos que tiveram acesso a trechos do procedimento. Não há decisão judicial sobre a validade das provas nem indiciamento formal divulgado pela Polícia Federal.
A campanha do presidente Lula não se manifestou publicamente sobre o uso da imagem na camiseta. O Missão também não divulgou nota sobre o episódio.
O uso de imagem de terceiros na campanha
A legislação eleitoral não proíbe a crítica a familiares de adversários, mas o uso da imagem de pessoa que não é candidata pode ser questionado na Justiça Eleitoral por quem se sentir atingido. O artigo 58 da Lei 9.504/1997 assegura o direito de resposta a candidato, partido ou coligação atingido por conceito sabidamente inverídico, calunioso, difamatório ou injurioso na propaganda eleitoral.
Fábio Luís não é candidato em 2026 e, por não integrar a disputa, eventual reação teria de correr pela via cível comum, e não pelo rito do direito de resposta eleitoral. Nenhuma ação sobre o episódio havia sido protocolada até o fechamento desta reportagem.
Renan Santos disputa o Planalto pelo Missão e tem construído a campanha em torno de pautas de privatização e de crítica ao governo federal. Na semana anterior, ele já havia sido alvo de representação do PSOL no Ministério Público Eleitoral por fala sobre a primeira-dama Rosângela da Silva, episódio que também partiu de declaração feita em evento público e chegou à Justiça Eleitoral pela via da representação partidária. O acúmulo de episódios do tipo em menos de duas semanas indica uma estratégia de campanha assentada no confronto direto com o entorno do presidente, e não apenas no debate de programa de governo. A corrida presidencial deste ano se organizou em três polos, com Lula, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado à frente das pesquisas.