Política

PF acha na casa de Ciro Nogueira lista com nomes de deputados

Manuscrito intitulado "Câmara" foi apreendido na churrasqueira do senador em 7 de maio; corporação diz que ao lado dos nomes há números e provavelmente valores

A Polícia Federal encontrou na casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília, um manuscrito intitulado "Câmara" com nomes atribuídos a deputados federais e uma série de números que, segundo a corporação, provavelmente correspondem a valores. O papel estava na churrasqueira do imóvel.

O documento foi apreendido em 7 de maio, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O conteúdo veio a público depois da retirada do sigilo dos processos do caso, na sexta-feira (11). As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo.

Para a PF, os nomes anotados no papel se referem ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL) e aos deputados Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Doutor Luizinho (PP-RJ), Adolfo Viana (PSDB-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Outros três nomes aparecem ao lado do número 5: Altineu, Diego e Netinho. Na Câmara, o único Altineu é o ex-líder do PL Altineu Cortes (RJ).

O que diz o relatório

Segundo a PF, uma funcionária da casa afirmou aos investigadores que o manuscrito havia sido entregue a ela pelo senador, com o pedido de que o papel fosse queimado por se tratar de documento antigo e supostamente sem serventia. Ela disse que não o fez porque não teve tempo.

No relatório com a listagem dos itens apreendidos, a corporação não fornece mais informações sobre o achado e registra que o papel "carece de esclarecimento". A PF apura se o presidente do PP recebeu vantagens indevidas de Vorcaro, como mesada e serviços de luxo, para favorecer os interesses do Banco Master no Congresso. Não há imputação formal contra os parlamentares citados no manuscrito.

O que dizem os citados

Procurada, a assessoria de Ciro Nogueira informou que não se manifestaria sobre o achado. À época da operação, a defesa do senador afirmou que ele "não teve qualquer participação em atividades ilícitas", e o próprio parlamentar disse que aquela era uma tentativa de manchar sua honra.

A assessoria de Arthur Lira disse que o deputado desconhece as anotações e que não pode responder por esse registro. Elmar Nascimento afirmou à Folha que os apontamentos não são valores, mas números.

"Não tenho nenhuma relação política com Ciro Nogueira, só quem pode explicar isso é ele", disse Elmar Nascimento. O deputado acrescentou: "Desconfio da PF, quem me garante que foi encontrado lá? Eles não têm fé pública de nada, não respeitam nem ministro do STF, quanto mais a gente".

Hugo Motta, Doutor Luizinho, Adolfo Viana e Isnaldo Bulhões foram procurados por meio das assessorias ou diretamente e não responderam até a publicação da reportagem da Folha. A assessoria de Altineu Cortes também não respondeu.

A retirada do sigilo, na sexta-feira (11), tornou disponíveis para consulta milhares de peças do caso Master, entre elas os achados da busca e apreensão na casa do senador. No mesmo bloco de documentos apareceu a transferência de R$ 700 mil do presidente da Febraban a uma firma ligada a Vorcaro.

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