Moraes chama de farsa relatório da PF e fala em vingança
Em documento de 44 páginas enviado a Fachin, ministro nega troca de mensagens com Daniel Vorcaro às vésperas do julgamento no plenário
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou, na noite desta segunda-feira, 14, que o relatório da Polícia Federal produzido a pedido do ministro André Mendonça é uma "farsa" e que a motivação por trás dele é "vingança" pelas condenações da tentativa de golpe de Estado. A manifestação foi enviada ao presidente do tribunal, Edson Fachin, horas antes da sessão do plenário marcada para esta terça-feira, 15, que vai definir se Moraes será investigado.
O documento tem 44 páginas, segundo o Poder360, e está dividido em 121 tópicos, conforme a Gazeta do Povo. Nele, Moraes se manifesta sobre o relatório que aponta mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a um contato identificado pela corporação como sendo o ministro.
Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. VINGANÇA. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Moraes foi relator das investigações que levaram à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outras autoridades por tentativa de golpe. Mendonça foi indicado ao Supremo por Bolsonaro.
O que diz a petição
O ponto central da defesa é a negativa de que exista troca de mensagens. O ministro sustenta que não há registro de qualquer texto de autoria dele no material apreendido.
Nenhuma ilação foi mais falsa, criminosa e mentirosa do que a questão dos supostos diálogos por mensagens entre mim e Daniel Vorcaro, supostamente relacionadas à "Operação Compliance". MENSAGENS MINHAS que nunca existiram. DIÁLOGOS FANTASIOSOS.
Segundo o relatório da Polícia Federal, as mensagens atribuídas ao contato eram escritas no bloco de notas de um iPhone e enviadas como imagem de visualização única, depois de uma captura de tela. Moraes argumenta que esse formato não permite concluir que o conteúdo tenha chegado a alguém e lista quatro hipóteses alternativas: o texto não ter sido enviado; ter sido enviado a várias pessoas em momentos distintos; ter sido enviado e apagado antes da leitura; ou ter sido enviado e nunca visualizado.
Ele também afirma que a leitura dos metadados e a correlação de horários que atribuiriam a ele a autoria carecem de perícia e resultam de "análise subjetiva" produzida por "determinação e direcionamento" de Mendonça, a quem se refere ao longo do texto com o termo "ilegal". Sobre a seleção do material, escreve que "o analista simplesmente escolhe o que lhe convém" e que o que não ajudasse na tese não foi analisado nem mostrado.
Ao final, conforme a Gazeta do Povo, Moraes defende a homologação da extinção do processo pedida pela Procuradoria-Geral da República. Ele afirma ainda que a investigação contra ministro do STF aberta sem pedido da PGR ou do plenário "não apontou nenhum indício de infração penal".
Como fica a sessão desta terça
O plenário do Supremo analisa nesta terça-feira, 15, o relatório da Polícia Federal e decide sobre a abertura de investigação contra Moraes. Em 9 de setembro, Fachin havia suspendido decisões de Mendonça e de Flávio Dino sobre o diretor-geral da Polícia Federal, medida que compõe o mesmo conjunto de disputas dentro da Corte.
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública do gabinete de André Mendonça sobre a petição. A Procuradoria-Geral da República, que pediu a extinção do procedimento, também não comentou o teor do documento apresentado por Moraes.
A íntegra da manifestação foi divulgada pelo Poder360, que a publicou na madrugada desta terça. A Gazeta do Povo também teve acesso ao documento.