Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino sobre o diretor da PF
Presidente do STF congelou as duas ordens monocráticas e manteve Andrei Rodrigues no cargo até o plenário analisar o caso, em 15 de setembro
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, suspendeu nesta quarta-feira, 9 de setembro, as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal. Com a medida, o diretor-geral Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência Leandro Almada seguem nos cargos até que o plenário da Corte analise o caso.
A sequência começou na terça-feira, 8. Mendonça determinou o afastamento preventivo de Rodrigues e Almada e mandou abrir apuração criminal e administrativa na Corregedoria da Polícia Federal. Na manhã de quarta, antes que a presidência do tribunal se manifestasse, Dino decidiu em sentido contrário e reintegrou os dois. À tarde, Fachin suspendeu as duas decisões.
No despacho, o presidente do STF registrou que o caso "encadeou decisões monocráticas sucessivas com comandos normativos incompatíveis entre si". Em outro trecho, afirmou: "É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente".
Fachin deu prazo de 48 horas para que Andrei Rodrigues se manifeste ao tribunal.
O que fica para o plenário
A discussão sobre o comando da Polícia Federal se soma a outro item já marcado para 15 de setembro: o plenário do STF decide naquela data se abre investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes a partir de elementos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Os dois temas nascem do mesmo conjunto de apurações e chegam ao colegiado na mesma semana.
Até lá, vale a decisão da presidência: nenhuma das duas ordens monocráticas produz efeito, e a direção da PF permanece como estava antes do dia 8.
O julgamento marcado para 15 de setembro já era o item mais aguardado da pauta do tribunal. A suspensão das decisões sobre a PF acrescenta ao mesmo dia a definição de quem manda na polícia que conduz as investigações.
Quem são os envolvidos
Andrei Rodrigues é delegado da Polícia Federal e ocupa a direção-geral do órgão. Leandro Almada dirige a área de Inteligência da corporação. Nenhum dos dois havia se manifestado publicamente sobre o afastamento até a publicação desta reportagem, e o prazo aberto por Fachin corre desde quarta-feira.
André Mendonça e Flávio Dino são ministros do STF. Edson Fachin preside o tribunal desde setembro de 2025, quando tomou posse na mesma sessão em que Alexandre de Moraes assumiu a vice-presidência.
A Polícia Federal não divulgou nota sobre a sucessão de decisões até a publicação desta reportagem. O que a presidência do STF formalizou é o entendimento de que a superposição de comandos entre ministros produz insegurança sobre quem exerce a chefia de um órgão da administração federal.
Na prática, o efeito da decisão de Fachin é de congelamento. Nem o afastamento determinado por Mendonça nem a reintegração determinada por Dino valem enquanto o plenário não se pronunciar. O diretor-geral e o diretor de Inteligência continuam despachando, e as apurações abertas na Corregedoria da PF por ordem de Mendonça ficam suspensas junto com o restante da decisão.