Política

Moraes manda bloquear até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz e suspende passaportes

Decisão do STF atinge o advogado e quatro empresas após viagem a Miami; PF liga conta da Alcazar Holdings a Flávio Bolsonaro, que nega

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  1. O que o ministro ordenou
  2. Por que a viagem pesou
  3. O que a PF diz sobre Flávio Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira, 23, o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens do advogado Willer Tomaz, segundo a Agência Brasil. A decisão também suspende os passaportes do investigado e paralisa as atividades das empresas ligadas a ele.

O bloqueio alcança bens móveis e imóveis, incluindo aviões e embarcações. Moraes quebrou ainda os sigilos bancário, fiscal e cambial de Tomaz e das empresas Alcazar Brasil Ltda., Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings e Cathedral Holdings SGPS. A Alcazar Holdings tem sede na Ilha da Madeira, em Portugal.

O que o ministro ordenou

  • Bloqueio de bens até o limite de R$ 6 bilhões.
  • Quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado e das quatro empresas.
  • Cancelamento dos passaportes, inclusive o diplomático.
  • Suspensão das atividades econômicas, financeiras e empresariais das companhias ligadas a ele.
  • Envio, em até 24 horas, das informações sobre as contas das empresas, com os cotitulares atuais e anteriores.

Segundo o Metrópoles, que cita o documento, a decisão comunica o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e a Receita Federal para que adotem as providências de bloqueio e monitoramento dentro das respectivas competências.

Por que a viagem pesou

A Polícia Federal (PF) constatou que Tomaz viajou para Miami, nos Estados Unidos, em 21 de agosto de 2026, sem registro de retorno. A saída ocorreu depois de ele ser alvo, em agosto, de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias e benefícios do INSS. Segundo a decisão, a ida ao exterior agravou o risco de destruição de provas, sobretudo as ligadas a fundos e empresas constituídas fora do país.

Tomaz é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em negócios com bets. O caso chegou ao STF em 8 de outubro, por causa do foro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, e a Procuradoria-Geral da República se manifestou a favor da abertura do inquérito, de acordo com o NSC Total.

O que a PF diz sobre Flávio Bolsonaro

Em dados guardados na nuvem do advogado, a PF encontrou e-mails entre a equipe de Tomaz e o banco Santander que indicam Flávio como "usuário master" de uma conta da Alcazar Holdings. Para os investigadores, o cadastro daria ao senador acesso operacional relevante à conta e sustenta a hipótese de participação econômica de fato na empresa. O registro, por si só, não prova crime nem que o senador tenha movimentado recursos.

A defesa de Flávio afirma que a única relação é a amizade entre as famílias e que o senador "nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz e nenhuma de suas empresas". Tomaz, ao ser incluído no inquérito, disse ao g1 que a Rede Loto "jamais operou como plataforma de apostas", que a Cathedral é "tão somente uma holding patrimonial" e que a investigação serve para "fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais". A Agência Brasil informou que busca contato com a defesa do advogado para ouvir a reação à nova decisão.

O caso já rendeu outros capítulos neste portal: a tentativa do PT de instalar uma CPMI e a compra de uma mansão de R$ 6 milhões no Lago Sul, apontada pela PF.