Política

Lula diz que Trump que se meta no país dele em ato no Piauí

Presidente voltou a tratar de interferência estrangeira em comício com Rafael Fonteles, em Teresina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que Donald Trump "se meta no país dele" ao tratar da possibilidade de interferência estrangeira nas eleições brasileiras. A declaração foi feita na quarta-feira, 9, durante ato de campanha em Teresina (PI), ao lado do governador e candidato à reeleição Rafael Fonteles (PT).

No discurso, o presidente disse que a disputa eleitoral no Brasil é assunto exclusivo dos brasileiros e voltou a alertar contra tentativas de influência dos Estados Unidos sobre o pleito de outubro.

"Que não venham os americanos influir nas nossas eleições. A gente sabe o que eles são capazes. E se eles vierem se meter aqui, a gente vai derrotá-los, os americanos e quem mais se meter", disse Lula.

Foi a terceira vez, segundo o Poder360, que o presidente recorreu ao tema em ato público neste ano. Advertências semelhantes foram feitas em junho e em agosto.

O ato em Teresina

O comício ocorreu na zona Sudeste de Teresina, a partir das 17h30. Além de Fonteles, subiram ao palanque os candidatos ao Senado Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e a ex-governadora Regina Sousa. Segundo o governador do Piauí, 50 mil pessoas estiveram presentes.

No mesmo discurso, Lula criticou o uso de bandeiras de outros países em atos políticos no Brasil e chamou de "vira-latas" quem recorre ao símbolo estrangeiro. O presidente também afirmou que o que está em jogo na eleição deste ano não é o nome que ocupará o cargo, mas a continuidade do regime democrático.

Lula ainda fez referência à Justiça Eleitoral ao dizer, segundo registro do Metrópoles, "que não venha o tribunal eleitoral querer falcatrua". O Tribunal Superior Eleitoral não se manifestou sobre a frase até esta publicação.

O pano de fundo da fala

A relação entre os dois governos passou por um ano de atrito comercial. Os Estados Unidos aplicaram tarifas sobre produtos brasileiros, o que levou o governo a montar o Plano Brasil Soberano e a editar medidas de socorro a exportadores, entre elas a prorrogação da suspensão de tributos para empresas atingidas pelo tarifaço.

O tarifaço produziu efeitos que o governo tratou por medida provisória ao longo do semestre. Uma delas prorrogou por um ano a suspensão de tributos a exportadores atingidos, e outra destinou R$ 5 bilhões adicionais ao Fundo de Garantia à Exportação. Esta última perdeu a validade no fim de agosto sem votação no Congresso.

Em paralelo, a articulação de aliados de Jair Bolsonaro em Washington virou tema recorrente da campanha. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro passou o ano nos Estados Unidos e é citado em apuração da Polícia Federal sobre repasses vindos do Brasil, no caso do financiamento da cinebiografia do ex-presidente.

A fala de Teresina se encaixa nesse quadro: o presidente trata a interferência externa como tema de campanha, e não apenas como questão diplomática, num momento em que a relação comercial com os Estados Unidos ainda não foi normalizada.

Lula é candidato à reeleição e lidera as pesquisas de intenção de voto no primeiro turno. O levantamento Genial/Quaest divulgado em 7 de setembro apontou o presidente com 36% e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 29%, em cenário de empate técnico no segundo turno.

Não há manifestação pública do governo americano sobre as declarações do presidente brasileiro nem sobre o pleito de outubro.

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Havendo segundo turno, a votação ocorre em 25 de outubro.

Leia também: Lula busca Trump como contrapeso a Rubio, diz o Financial Times.

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