Caso Master vai 'respingar' na reta final da eleição, diz Lula
Em entrevista à Rádio Super Tupi, o presidente afirmou que o caso envolveu 'gente da Suprema Corte' e citou cinco ministros ligados direta ou indiretamente ao episódio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 18, que o caso do Banco Master deve afetar a reta final da campanha eleitoral. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Super Tupi, do Rio de Janeiro, à apresentadora Isabele Benito, e publicada pelo Poder360 às 11h23.
"Eu acho que vai respingar na reta final, vai respingar", disse o presidente, que classificou o episódio como algo que acompanha "com muita tristeza".
Na mesma entrevista, Lula descreveu o alcance do caso. "E aí envolveu gente da Suprema Corte, envolveu deputado, envolveu senador, envolveu todo mundo", afirmou. Em seguida, foi mais específico: "Nós temos que resolver esse problema. Está todo mundo ali. Ali você tem 5 ministros que estão ligados direto e indiretamente".
O presidente não nomeou os ministros a que se referia nem detalhou em que condição cada um deles estaria ligado ao caso.
O que Lula disse sobre Moraes
Ainda na entrevista, o presidente separou o caso Master do conflito entre a família Bolsonaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. "A briga da família Bolsonaro com o Alexandre de Moraes não é por causa do Banco Master, é por causa da prisão da família, por causa do comportamento do Alexandre de Moraes, que foi correto em defender a democracia desse país", declarou.
Do outro lado da disputa, o ministro André Mendonça, um dos integrantes do STF citados no noticiário sobre o caso, já declarou publicamente que conduz com imparcialidade os processos do Banco Master e do INSS. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro nega irregularidades por meio de sua defesa, que atua pela revogação da prisão preventiva. A reportagem não localizou manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre a declaração desta sexta nas notas oficiais publicadas pelo tribunal.
Onde o caso está
As investigações sobre o Banco Master correm em frentes distintas no STF, na Polícia Federal e na Comissão de Valores Mobiliários. Vorcaro está preso preventivamente e tenta, pela terceira vez, firmar acordo de delação premiada.
Na quinta-feira, 17, o ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Federal e a CVM apurassem a relação do Banco Master com concessionárias de cemitérios de São Paulo. No mesmo despacho, Dino vedou expressamente qualquer ato que atinja o ministro André Mendonça, por entender que investigar integrante da Corte compete ao presidente do tribunal junto ao colegiado.
Outras apurações em curso envolvem repasses de institutos de previdência municipais e estaduais ao banco, a multa de R$ 20 milhões aplicada pela CVM a Vorcaro por fraude em fundo imobiliário e o pedido da Procuradoria-Geral da República ao ministro Edson Fachin sobre o acesso da PF a dados de autoridades com foro privilegiado.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal julga em 25 de setembro a permanência do procurador-geral Paulo Gonet à frente do caso.
O caso ganhou peso eleitoral porque atravessa os três Poderes. Levantamentos de contratação de institutos de previdência pública pelo banco alcançaram municípios e estados de diferentes partidos, e a Polícia Federal apontou pagamentos e viagens a servidores e a pessoas ligadas a autoridades.
Programa de governo, debates e a reta final de campanha passam agora a conviver com o calendário processual. O primeiro turno da eleição presidencial está marcado para 4 de outubro, um domingo. Faltam 16 dias.
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