Fachin exige da PF apuração sem exceção de ministros citados por Vorcaro
Presidente do STF marca reunião para 13 de outubro, quando a Polícia Federal deve apresentar a lista de nomes mencionados em conversas ligadas ao ex-banqueiro
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, enviou ofício ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em 2 de outubro, determinando que a apuração de menções a ministros da Corte encontradas no material do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ocorra de forma "integral e sustentada", sem recortes pessoais. Os dois se reúnem em 13 de outubro para tratar do assunto.
No ofício, Fachin estabeleceu que qualquer encaminhamento sobre os ministros citados só pode acontecer depois que a PF apresentar o conjunto completo das informações, sem seleção arbitrária de nomes. É esse critério que o STF chama de apuração "sem exceção de pessoa".
O que a PF vai apresentar em 13 de outubro
Na reunião marcada, a PF deve entregar formalmente a Fachin a relação de ministros do STF citados em conversas atribuídas a pessoas ligadas a Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Reportagens da Agência Brasil e do jornal O Tempo identificam entre os mencionados o ministro Alexandre de Moraes, além dos ministros Nunes Marques, Dias Toffoli, Luiz Fux e o próprio André Mendonça, que relatava os inquéritos do Master e do INSS antes do caso ir à presidência da Corte.
O episódio tem origem na crise aberta dentro do STF em setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de supostas conversas entre Moraes e Vorcaro. Moraes, por sua vez, pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por possível irregularidade na condução das apurações. Diante do impasse, os dois inquéritos (Master e descontos indevidos do INSS) saíram da relatoria de Mendonça e passaram à presidência do tribunal.
Como estão os dois processos no STF
O caso corre hoje em duas frentes dentro do tribunal. A Petição 16.662, aberta a pedido do partido Novo para investigar Moraes, está suspensa desde 15 de setembro por pedido de vista do ministro Flávio Dino; na ocasião, o plenário já havia votado por 4 a 3 pela manutenção dos processos separados, sem decidir o mérito. A Petição 16.704 foi aberta depois, para organizar os pedidos urgentes derivados do mesmo caso, entre eles recursos de liberdade apresentados pelo empresário Fabiano Zettel e pelos parentes de Vorcaro, Felipe e Henrique Vorcaro.
O pano de fundo é o escândalo que levou o Banco Central a decretar, em 18 de novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras empresas do conglomerado, por crise de liquidez, deterioração financeira e descumprimento de normas prudenciais. Desde então, a Polícia Federal cumpriu mandados em diversas frentes (de institutos de previdência que aplicaram recursos no banco a servidores do Banco Central que receberam viagens pagas por Vorcaro) e o caso passou a correr em paralelo com as investigações sobre descontos indevidos em benefícios do INSS, que também tinham Mendonça como relator.
Em 25 de setembro, Fachin havia dado prazo de cinco dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre essas medidas urgentes, segundo nota da Agência Brasil. O ofício enviado à PF em 2 de outubro é um passo separado, direcionado à apuração sobre os próprios ministros citados nas conversas, não aos pedidos de liberdade.
O outro lado
O STF não divulgou nota própria sobre o conteúdo do ofício além do que consta no despacho de Fachin. André Mendonça, em manifestações anteriores à imprensa, já havia defendido a imparcialidade na condução dos casos Master e INSS e afirmado ter sofrido represálias por levar dados da Polícia Federal ao Supremo. Procurados por reportagens que acompanham o caso, nem a assessoria de Moraes nem a de Mendonça confirmaram se vão se manifestar antes da reunião de 13 de outubro.
O que muda a partir de agora é o calendário: a lista de ministros citados deixa de ser rumor de bastidor e passa a ter data para virar documento formal dentro do STF, com Fachin reivindicando o controle sobre quem recebe, e quando, as informações levantadas pela PF.