Erupção do Etna faz aeroporto de Catânia desviar voos na Sicília
INGV registra fonte de lava na cratera Voragine e alerta para aviação chega ao nível vermelho
Uma nova erupção do vulcão Etna obrigou o aeroporto de Catânia, na Sicília, a desviar voos e a fechar temporariamente um setor do espaço aéreo nesta sexta-feira, 7 de agosto. O Observatório Etneo do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) registrou uma fonte de lava na cratera Voragine e a formação de uma nuvem eruptiva.
Segundo o INGV, a nuvem se dispersou na direção sul-sudoeste. O nível de alerta para a aviação, o Vona (Volcano Observatory Notice for Aviation), foi elevado ao vermelho, o mais alto da escala.
O episódio foi antecedido por um aumento rápido do tremor vulcânico, iniciado por volta das 21h de quinta-feira (6) no horário local. A amplitude máxima foi atingida por volta das 23h30, e depois recuou, ainda que permanecendo em níveis altos.
O instituto também registrou a abertura de uma nova boca eruptiva a 2.750 metros de altitude, na área do Valle del Bove. Os fluxos de lava ficaram confinados às zonas vulcânicas, sem atingir áreas habitadas.
Como ficaram os voos
Três aeronaves que chegariam a Catânia foram desviadas: um voo da Ryanair vindo de Roma Fiumicino, um da easyJet que partiu de Nápoles e foi redirecionado a Palermo, e um da Delta Air Lines procedente de Nova York, que seguiu para Roma Fiumicino.
A Sac, empresa que administra o terminal, fechou o setor C1 do espaço aéreo, correspondente à área alcançada pela nuvem de cinzas a sudoeste. Ao longo do dia, a gestora anunciou a reabertura gradual do setor e o restabelecimento das operações de chegada e partida.
O aeroporto de Catânia-Fontanarossa é o principal terminal do leste da Sicília e opera em plena temporada de verão europeu, quando concentra o fluxo de turistas para a costa e para as áreas vulcânicas. A cinza vulcânica é tratada como risco severo para a aviação porque pode danificar turbinas e obstruir sensores de voo, o que leva ao fechamento preventivo de rotas mesmo sem risco em solo.
O verão de erupções no Etna
O episódio se soma a uma sequência de eventos eruptivos registrados no vulcão nos últimos meses. Em 6 de julho, atividade semelhante levou à suspensão de operações no mesmo aeroporto, com o cancelamento de 130 voos e o desvio de outros 50 por causa da nuvem de cinzas.
Com 3.300 metros de altitude, o Etna é o vulcão ativo mais alto da Europa e um dos mais monitorados do mundo. A atividade da cratera Voragine, uma das quatro crateras de cume do maciço, tem produzido fontes de lava recorrentes, fenômeno que os vulcanólogos classificam como episódios paroxísticos.
A região do entorno concentra vilarejos, plantações de videira e estradas turísticas que sobem até a área do parque nacional. Nas erupções com queda de cinzas sobre áreas povoadas, as prefeituras costumam restringir a circulação de motocicletas e determinar a limpeza das vias, medida que reduz o risco de derrapagem.
Não houve registro de feridos nem de danos a construções. As erupções do Etna raramente ameaçam vidas, porque a lava avança devagar e por vertentes desabitadas; o transtorno maior costuma ser a cinza, que atinge lavouras, telhados e o tráfego aéreo em um raio amplo, a depender da direção do vento.
O monte fica no território de Catânia, na costa leste da ilha, e sua área de cume integra um parque nacional visitado por excursões guiadas ao longo do ano. Em episódios de atividade intensa, as autoridades locais restringem o acesso às cotas mais altas até que o INGV reduza o nível de alerta.
O INGV mantém o monitoramento contínuo do vulcão por rede sísmica, câmeras térmicas e medições de deformação do solo, e atualiza os avisos à aviação conforme a evolução do tremor e da coluna eruptiva.