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Espanha manda Exército a Ceuta após entrada em massa vinda do Marrocos

Governo espanhol fala em emergência humanitária; balanços de mortos divergem entre nove e 17 pessoas

O governo da Espanha mobilizou unidades do Exército em Ceuta nesta quinta-feira, 30, depois que centenas de migrantes entraram no enclave espanhol vindos do Marrocos. O grupo se soma a cerca de 1.500 pessoas que cruzaram a fronteira nos dias anteriores.

O Ministério do Interior espanhol informou que as Forças Armadas reforçarão a Guarda Civil para manter a segurança na cidade de Ceuta. O governo classificou a situação como emergência humanitária.

Os balanços de mortos divergem. A polícia espanhola contabilizou ao menos 17 pessoas mortas na tentativa de entrar a nado, segundo o Correio da Manhã. Outras agências registraram nove mortes no mesmo episódio. Não há número consolidado divulgado oficialmente.

Ceuta fica na costa norte da África e faz fronteira terrestre com o Marrocos. A entrada mais usada nos últimos dias não foi a cerca, e sim o mar: os migrantes partem a nado da cidade marroquina de Fnideq e percorrem cerca de cinco quilômetros até o território espanhol.

Uma segunda rota sai de Belyounech, onde a distância é menor. As duas travessias são feitas sem embarcação e sem equipamento, o que explica o número de mortes por afogamento e por hipotermia.

É a maior entrada de pessoas em Ceuta desde maio de 2021, quando mais de 10 mil migrantes chegaram à cidade autônoma em dois dias, episódio ocorrido durante uma crise diplomática entre Madri e Rabat.

Espanha e Marrocos anunciaram entendimento para acelerar a repatriação de quem entrou sem documentos em território espanhol. Os dois governos falam em agilizar os trâmites de devolução, mecanismo previsto em acordo bilateral que permite o retorno imediato de quem cruza a fronteira de forma irregular.

A execução desse tipo de acordo depende da cooperação marroquina no controle da própria costa. Em 2021, a redução da vigilância do lado marroquino foi apontada por autoridades espanholas como fator determinante para a entrada em massa daquele ano.

Ceuta e Melilla são as duas únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e a África. Por isso, cada episódio de entrada em massa nos dois enclaves tem efeito direto sobre a discussão do pacto migratório europeu e sobre o volume de recursos que Bruxelas repassa a países de trânsito para conter fluxos.

Não há informação sobre quantas das pessoas que entraram nos últimos dias são menores desacompanhados, categoria que recebe tratamento jurídico distinto e não pode ser devolvida de forma sumária pela legislação espanhola.

O governo do Marrocos não divulgou nota sobre a mobilização militar espanhola até a publicação deste texto.

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