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Ataques russos deixam sete mortos na Ucrânia e atingem navio com trigo no mar Negro

Cargueiro Mera Queen, de bandeira da Guiné-Bissau, pegou fogo; um tripulante morreu e três ficaram feridos

Ataques russos contra as cidades ucranianas de Balaklia, Sumy e Kherson mataram ao menos sete pessoas entre a noite de quarta-feira, 5, e a manhã desta quinta-feira, 6, segundo autoridades locais citadas pela agência Reuters. No mar Negro, um cargueiro que transportava trigo ucraniano foi atingido, pegou fogo e teve um tripulante morto.

Em Balaklia, na região de Kharkiv, três pessoas morreram. Em Sumy, no nordeste do país, outras três morreram e ao menos 19 ficaram feridas, com registro de mais 12 feridos depois de novo ataque à cidade. Em Kherson, no sul, seis pessoas ficaram feridas.

O navio atingido é o Mera Queen, de bandeira da Guiné-Bissau. A embarcação levava trigo quando foi alvo do ataque na noite de 5 de agosto. Um marinheiro ucraniano morreu e outros três ficaram feridos, de acordo com autoridades ucranianas. O casco sofreu avarias e um incêndio se espalhou a bordo.

A tripulação foi retirada para terra. Na manhã de 6 de agosto, o navio já estava atracado, com trabalhos emergenciais para conter os danos e estabilizar as condições técnicas da embarcação.

Tanto a Rússia quanto a Ucrânia negam ter civis como alvo. O Ministério da Defesa russo não se manifestou publicamente sobre o ataque ao cargueiro até a publicação desta reportagem.

O episódio marca uma mudança no alvo. Até aqui, os ataques russos ao corredor de exportação se concentravam na infraestrutura portuária, e não nas embarcações em navegação. Atingir um navio em rota amplia o risco para armadores e seguradoras e encarece o frete de quem escoa grãos pelo mar Negro.

O corredor é uma das principais rotas mundiais de trigo. Mais de 90% das exportações agrícolas ucranianas saem pelos portos do sul do país, com Odessa no centro da operação. A Rússia intensificou nas últimas semanas os ataques a navios civis e à infraestrutura portuária da região.

O efeito no preço do trigo

O mercado reagiu. Os contratos futuros de trigo nos Estados Unidos atingiram nesta semana o maior patamar em dois anos, e o trigo negociado na Euronext subiu ao nível mais alto em 17 meses, segundo levantamento da Reuters. O motivo apontado por operadores é o risco de que os ataques a portos e a embarcações reduzam a oferta de dois dos maiores fornecedores mundiais do cereal.

As rotas alternativas de escoamento não cobrem o buraco no curto prazo. O ministro da Agricultura da Ucrânia, Taras Vysotskyi, disse à Reuters que essas rotas não chegarão à capacidade total antes do fim de agosto e devem movimentar cerca de metade do volume normalmente embarcado pelos portos do mar Negro.

A conta chega ao Brasil pelo preço. O país é comprador líquido de trigo e depende de importação para cobrir parte relevante do consumo interno, com a Argentina como principal fornecedora. Quando o trigo do mar Negro some da oferta global, a cotação internacional sobe e puxa o custo da farinha, do pão e da massa no mercado interno.

Nos últimos dias, embarcações comerciais foram alvo dos dois lados do conflito no mar Negro. A Rússia afirmou ter destruído cargueiros no porto de Mykolaiv e em águas próximas a Odessa; a Ucrânia atacou com drones um cargueiro ligado à navegação russa. O saldo é o mesmo para quem contrata frete: prêmio de risco maior e menos armadores dispostos a entrar na região.

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