Fé e Valores

Otoni de Paula diz que votaria em Lula contra Flávio Bolsonaro

Deputado do PSD-RJ propõe movimento Direita com Lula e provoca reação na bancada evangélica

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) afirmou que votaria no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil na quinta-feira, 30 de julho.

Pastor e um dos nomes com trânsito na bancada evangélica da Câmara, Otoni disse que apoia o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, no primeiro turno, e que a posição sobre o segundo turno não representa adesão ao petismo.

"Se tiver Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, eu não tenho receio de perder voto em dizer que eu votarei no Lula", afirmou o deputado à CNN Brasil.

Na mesma entrevista, ele delimitou a própria trajetória eleitoral: "Eu vou com Caiado, porque o Brasil precisa de uma opção. Nunca votei em Lula."

Otoni também levantou a possibilidade de criar um movimento nacional chamado Direita com Lula, voltado a conservadores dispostos a apoiar o petista nesse cenário. A ideia foi apresentada por ele em entrevista ao jornalista Juca Kfouri, na TVT.

A aproximação já havia ficado visível em cena registrada anteriormente, quando o deputado conduziu uma oração com imposição de mãos sobre o presidente. O episódio circulou nas redes sociais e foi um dos pontos que alimentaram a reação de parlamentares do mesmo campo religioso.

A reação na bancada evangélica

A posição do parlamentar provocou reação de deputados do mesmo campo. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou a postura de Otoni como "atitude patética" e questionou a legitimidade de quem fala em nome da igreja evangélica brasileira.

A Frente Parlamentar Evangélica reúne mais de 220 deputados e não tem posição única sobre o cenário eleitoral de 2026. O grupo já registrou disputas internas em torno da aproximação com o governo federal, e a definição de comando da bancada foi adiada em ocasiões anteriores por falta de consenso.

O rompimento de Otoni com o bolsonarismo começou em 2024, quando ele apoiou a reeleição de Eduardo Paes à prefeitura do Rio de Janeiro, o que gerou críticas de Flávio Bolsonaro. Hoje ele integra o PSD, partido presidido por Gilberto Kassab.

A frente é uma das maiores do Congresso e reúne parlamentares de legendas que vão do PL ao PT, o que torna posições unificadas raras fora de pautas de costumes. Em temas eleitorais, cada integrante costuma seguir a orientação do próprio partido e do próprio estado.

O peso do voto evangélico em 2026

O eleitorado evangélico é um dos blocos mais disputados da eleição presidencial. Nas disputas de 2018 e 2022, pesquisas de intenção de voto apontaram maioria do segmento com Jair Bolsonaro, e manter esse alinhamento é um dos pontos centrais da estratégia do campo à direita para 2026.

A hipótese levantada por ele depende de um cenário que ainda não está posto. Nenhuma das pré-candidaturas à Presidência foi oficializada em convenção, e o quadro do primeiro turno segue aberto no campo à direita, com mais de um nome disputando o mesmo eleitorado.

A fala de Otoni é individual e não corresponde a posição formal do PSD, que não anunciou apoio a nenhuma pré-candidatura presidencial. O prazo para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina em 15 de agosto, e as convenções partidárias vão até o dia 5.

Deputado federal pelo Rio de Janeiro, Otoni construiu presença nas redes sociais durante o governo Bolsonaro, quando foi um dos defensores mais frequentes do então presidente entre os parlamentares evangélicos. A mudança de posição o coloca agora em lado oposto ao da ala que sustenta a pré-candidatura de Flávio.

A reação pública mais direta até agora partiu de Nikolas Ferreira. A Frente Parlamentar Evangélica, que reúne parlamentares de partidos distintos, não se manifestou de forma institucional sobre o caso.

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