Eleições 2026

Caiado diz que vai resgatar o Itamaraty e ampliar mercados de exportação

Candidato do PSD à Presidência falou em evento da Abdib em São Paulo e disse que a chancelaria não será braço de partido

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta terça-feira, 25 de agosto, que vai "resgatar a chancelaria brasileira" e defendeu a diversificação de mercados para as exportações do país. A declaração foi dada em evento da Abdib, a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, em São Paulo.

Caiado disse que o Itamaraty não será usado como instrumento partidário em um eventual governo seu.

"Eu vou resgatar a chancelaria brasileira. O Itamaraty brasileiro não vai ser braço de partido político"

Em outro trecho, o candidato afirmou que a chancelaria "vai saber o seu papel e terá um presidente da República e não vai ficar fazendo provocações nem ações contra outros presidentes". A fala foi registrada pelo Poder360.

Sobre comércio exterior, Caiado defendeu que o Brasil amplie a presença em mais mercados e resumiu a posição em uma frase: "O Brasil não pode também ficar sequestrado em apenas um mercado". Ele não citou países ou blocos específicos nem apresentou números de comércio exterior durante a fala.

Caiado é médico e foi eleito governador de Goiás em 2018 e reeleito em 2022. Renunciou ao cargo em 31 de março de 2026 para disputar a Presidência, e o então vice-governador Daniel Vilela (MDB) assumiu o governo goiano. A candidatura foi confirmada em convenção nacional do PSD realizada em São Paulo, em 26 de julho, com o presidente do partido, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente.

O que está em disputa na política externa

A crítica ao uso partidário do Itamaraty é recorrente entre candidatos de oposição e mira a condução da diplomacia no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada por posicionamentos do presidente sobre conflitos e governos estrangeiros.

A pauta de diversificação comercial, por sua vez, tem origem concreta no tarifaço aplicado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e na concentração da pauta exportadora em poucos destinos. China, Estados Unidos e União Europeia respondem pela maior fatia das vendas externas do Brasil, e a dependência de um comprador dominante é o ponto que a fala do candidato aciona.

Na prática, ampliar mercados exige acordos comerciais, abertura sanitária para produtos agropecuários e presença diplomática nos países de destino, três frentes que dependem do próprio Itamaraty que o candidato promete reorganizar.

O evento e o calendário

A Abdib reúne empresas de infraestrutura e indústrias de base e tem promovido encontros com presidenciáveis no período que antecede a campanha. A entidade não divulgou posicionamento sobre as declarações.

A eleição presidencial de 2026 tem primeiro turno marcado para 4 de outubro. A propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão começa em 28 de agosto.

A campanha de Caiado não detalhou até agora quais mercados seriam prioritários em uma eventual gestão nem que mudanças estruturais o candidato pretende fazer na carreira diplomática.

No mesmo dia em que o candidato do PSD falou em São Paulo, o partido viu outro de seus nomes ganhar destaque no noticiário eleitoral. Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta terça-feira mostra o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) com 44,5% das intenções de voto na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, à frente do deputado Douglas Ruas (PL), com 15,5%.

A sigla chega à eleição com candidatura própria ao Planalto e com competitividade em disputas estaduais, quadro que exige articulação de palanque estado a estado. Ronaldo Caiado ainda não anunciou o desenho de apoios regionais da campanha presidencial.

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