Girão chama apoio do PL a Ciro Gomes de incoerência e elogia Michelle
Senador do Novo e candidato a vice na chapa de Romeu Zema criticou a aliança do PL com o presidenciável do PSDB no Ceará.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema (Novo), classificou nesta terça-feira, 25, como incoerência o apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará. A declaração foi dada em entrevista e publicada pelo Poder360.
"Quem é de direita não abre mão de seus princípios e valores", afirmou Girão. Questionado se o apoio configura contradição do partido, respondeu: "É completa, total."
O senador chamou a aliança de "conchavo" da "velha política" e disse que a posição ideológica do candidato tucano não deixa margem a dúvida. "Todo mundo sabe que Ciro é PT, PT é Ciro", declarou.
Ciro Gomes foi lançado pelo PSDB ao governo do Ceará, com Roberto Cláudio como candidato a vice. O PL fechou apoio à chapa no estado. Sem conseguir o respaldo do partido de Jair Bolsonaro, o Novo lançou Vera Lúcia como candidata própria ao governo cearense.
O gesto de Michelle Bolsonaro
Girão dedicou parte da entrevista a agradecer publicamente a Michelle Bolsonaro, que manteve oposição a Ciro Gomes apesar da posição adotada pelo diretório do PL no Ceará.
"Eu achei muita coragem da parte dela. Ela foi muito autêntica e corajosa em se rebelar dentro do PL com o acordão indecoroso do PL do Ceará com o Ciro Gomes", disse o senador.
Michelle Bolsonaro é candidata ao Senado pelo Distrito Federal e preside o PL Mulher. A divergência interna coloca em campos opostos a ala do partido que trata a eleição cearense como cálculo regional e a que enxerga custo nacional em dividir palanque com um adversário histórico.
O que está em disputa no Ceará
A eleição estadual reúne, de um lado, a articulação que aproximou PSDB e PL em torno de Ciro Gomes e, de outro, a tentativa do Novo de manter candidatura sem coligação, o mesmo modelo que o partido adota na disputa presidencial com Zema e Girão. O senador foi confirmado como vice na convenção de 4 de agosto.
Girão está no segundo mandato pelo Ceará e migrou para o Novo em 2025. Ao aceitar a vaga de vice na chapa presidencial, deixou de disputar a reeleição ao Senado, cadeira que estará em jogo no estado em outubro.
Ciro Gomes é ex-governador do Ceará, ex-ministro da Fazenda no governo Itamar Franco e ex-ministro da Integração Nacional no primeiro governo Lula. Disputou a Presidência em 1998, 2002, 2018 e 2022. Nas duas últimas campanhas, pelo PDT, construiu discurso de equidistância entre petismo e bolsonarismo, o que não impediu que a direita cearense o tratasse como adversário direto.
O Novo mantém desde a fundação a regra de não formar coligação em disputa majoritária, o que explica o lançamento de candidatura própria mesmo em estado onde o partido tem estrutura reduzida. A legenda aplica o mesmo desenho na eleição presidencial.
A eleição cearense é a que mais expõe a tensão entre cálculo estadual e coerência nacional dentro do PL. O partido lançou Flávio Bolsonaro à Presidência com discurso de contraposição ao campo petista, e no Ceará se aliou a um nome que integrou o primeiro governo Lula. Diretórios estaduais têm autonomia para definir apoio em disputa majoritária local, o que abre esse tipo de descompasso em ano de eleição geral.
Para o Novo, a disputa tem outro peso. O partido nunca elegeu governador e usa a candidatura estadual como vitrine do palanque presidencial, estratégia que depende de o nome local aparecer ao lado do presidenciável no horário eleitoral e no material de campanha.
Não houve manifestação pública do diretório do PL no Ceará nem da campanha de Ciro Gomes sobre as declarações até a publicação desta reportagem.
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